Tragédia anunciada: Bolsonaro aumenta em 564% a terceirização no meio ambiente
O resultado são recordes de desmatamento, queimadas e piora nos serviços prestados à população, como mostra as filas do INSS, para ficar em apenas duas áreas afetadas pela política de Bolsonaro
Escrito por 10 de junho de 2022
Em sua lógica de que tudo que privado é melhor do que o público, que o meio ambiente é apenas um entrave à exploração de terras indígenas, que a saúde e a previdência, entre outros serviços públicos, são apenas custos, o presidente Jair Bolsonaro (PL) adota uma política de desmonte de autarquias e órgãos e o país assiste a destruição do meio ambiente e ao desmonte na prestação de serviços à população.
A política adotada no governo de contratar pessoal temporário, em vez de promover concursos públicos, causa enormes prejuízos ao país, como mostram os dados de aumento de queimadas e desmatamentos, e piora nos serviços prestados à população, evidenciadas nas filas do INSS, para citar apenas duas áreas afetadas.
Só nas autarquias do Ministério do Meio Ambiente, que englobam o Instituto (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o salto de contratação temporária foi de 564%.
Em 2013, no governo de Dilma Rousseff (PT), os servidores respondiam por 90% dos cargos ocupados nessas autarquias. Sob Bolsonaro caiu para 56%, mostra análise República.org publicada pelo jornal Folha de São Paulo.
O resultado é a explosão no número de incêndios florestais, mineração clandestina e ataques aos povos indígenas
Em abril, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Brasil bateu mais um recorde de desmatamento na Amazônia. Foram derrubados 1.012,5 km² de floresta, mais um recorde de destruição da floresta sob o governo Bolsonaro, que representa um salto de 74% em relação aos alertas de desmate registrados em abril do ano passado, cerca de 580,5 km², um número que também era o recorde para o mês.
Já as queimadas no Pantanal, na Amazônia e no Cerrado não só continuam como já são maiores que em 2021. Segundo o INPE, nos quatro primeiros meses do ano foram registrados 175 focos de queimadas no Pantanal, superior aos 148 de igual período do ano passado, aumento de 18,2%. No Cerrado, foram mais de 4 mil focos, 20% a mais que no ano anterior.
A Amazônia também teve crescimento: em Rondônia o aumento foi de 39% no número de focos de queimadas se comparado com o ano passado. Já o Amazonas teve aumento de 94%, saindo da marca de 105 em 2021 para 204 focos de queimadas neste ano.
E servidor que trabalha para impedir a tragédia é perseguido ou demitido, como foi o caso do delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva, que foi demitido do cargo de superintendente da corporação no Amazonas depois de denunciar ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o então ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles estava envolvido com o caso que ele investigava de extração ilegal de madeira na Amazônia.
É evidente que esse governo tem intenção desenfreada de privatizar as estatais e todos os serviços públicos, como provou a tentativa de aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 32, da reforma Administrativa, afirma o secretário de Administração e Finanças da CUT, Ariovaldo Camargo.
“O fato é que os serviços públicos não são prioridade deste governo. Ao contrário quer a todo custo manter o teto de gastos, que impede mais investimentos na saúde, na educação e em todos as áreas que a população precisa de um atendimento gratuito e de qualidade que promovam o seu bem-estar”, diz Ariovaldo.
“Muitos servidores saem por falta de perspectiva de carreira, por estar há quatro anos sem reajuste salarial e o governo em vez de valorizar o servidor, sequer repõe o quadro com novos concursos públicos”, complementa o dirigente.
Além das autarquias do Ministério do Meio Ambiente serem desmontadas, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é outro exemplo de descaso do governo Bolsonaro que tem reduzido seu orçamento e precarizado sua estrutura.
No INSS, Bolsonaro não repõe mais de 10 mil servidores que deixaram o órgão por aposentadoria e outros motivos. Em vez disso, contratou três mil militares (sua base de apoio), sem experiência na área, para fazer o serviço de civis altamente qualificados.
Agora, com o fim do contrato dos militares no último 31 de maio, as seis superintendências do INSS foram orientadas a contratar empresas terceirizadas, denuncia Vilma Ramos, Secretária-Geral do Sindicato dos Trabalhadores do Seguro Social e Previdência Social no Estado de São Paulo (SINSSP).
“Os militares não ajudaram a reduzir a fila do INSS nem tampouco a melhorar o atendimento da população. O que precisamos é de concursos públicos para que a população tenha certeza de que quando for a um posto de atendimento terá alguém para atender de acordo. Mas, agora o governo quer terceirizar um trabalho que é de sua responsabilidade”, afirma a dirigente.
O INSS virou balbúrdia e zona com Bolsonaro– Vilma Ramos
Sobre o atendimento do INSS, o secretário de Administração e Finanças da CUT Nacional, lembra que a falta de peritos médicos fez o governo querer cobrar da população pelo atendimento.
De acordo com Ariovaldo de Camargo, o INSS buscou formas do trabalhador pagar pela perícia médica, apesar dele já pagar uma série de impostos e ter direito a um atendimento gratuito na saúde, mas a pressão dos servidores impediu mais este retrocesso.
“O INSS é tão vítima como o Ibama e outros órgãos, por que este governo não tem compromisso com a saúde, o meio ambiente e tudo que para ele represente gasto”, diz Camargo.
Precarizar o serviço público é caso pensado, é estratégia desse governo para que a população fique contra os servidores, e assim poderá entregar para empresas privadas, que cobrarão pelo o que hoje é gratuito, além de prestar um atendimento de baixa qualidade– Ariovaldo de Carvalho
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