Pesquisa indica que 68% dos idosos no Brasil são os principais responsáveis pelo domicílio
Pesquisa realizada pelo Sesc, em parceria com a Fundação Perseu Abramo, aponta que entre as famílias brasileiras, quem tem rendimento constante são os beneficiários da Previdência Social
Escrito por 25 de agosto de 2020
Ao todo, 2.369 pessoas acima dos 60 anos foram entrevistadas em todas as regiões do país. Outras 1.775 entrevistas foram feitas também com o restante da população, de 16 a 59 anos. O objetivo, segundo os pesquisadores, era comparar o que um idoso pensa com os demais grupos da sociedade. As entrevistas foram coletadas do dia 25 de janeiro a 2 de março – pouco antes da pandemia ser decretada.
Entre os pontos identificados, o levantamento indica que a renda mensal de grande parte da população brasileira (44%), entre idosos e não-idosos, é de até dois salários mínimos. Entre os que têm mais de 60 anos, menos de um terço (24%) ganha entre 2 e 5 salários mínimos. “Nas famílias, quem tem uma renda constante é quem depende da previdência, o salário vem todo mês e eles conseguem planejar os gastos. Mas o que os idosos contam pra gente é que cada vez menos familiares seus têm empregos formais”, explica a assistente de Gerência de Estudos e Programas Sociais (Gepros) do Sesc São Paulo, Rosângela Barbalacco, em entrevista ao Seu Jornal, da TVT.
Sem renda, sem lazer
O estudo ainda identifica que, por conta da renda, as atividades de lazer entre os idosos também são prejudicadas. Pelo menos 44% deles responderam que preferem realizar atividades fora de casa, mas, sem dinheiro, 93% dos idosos ficam no próprio domicílio, assistindo televisão. De acordo com a pesquisa essa “é a única saída de lazer” para os que não têm renda e não conseguem viajar ou passear. “Eles declaram nas entrevistas em profundidade que vivem com o ‘cinto muito apertado’ para que possam caber todas as suas despesas”, ressalta a pesquisadora do Núcleo de Opinião Pública da FPA, Vilma Bokany.
Na avaliação da pesquisadora, faltam centros de referência e políticas públicas para que os idosos possam passar o dia fora de casa. “Muitos ficam sozinhos em casa durante todo o dia enquanto o restante da família sai para trabalhar. Não tem nenhum tipo de política para auxiliar os idosos a cumprirem suas necessidades lá fora, bancos e serviços públicos”, contesta.
O estudo também mostra que 79% dos idosos acessam a saúde pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, 24% relatam dificuldades em marcar exames e adquirir remédios. A “falta de saúde” é a principal menção negativa em ser idoso para 74% dos entrevistados.
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Redação: Clara Assunção. Edição: Glauco Faria
Por Redação RBA










