Em desespero, governo volta a pressionar TCU para entregar Eletrobras ao mercado
DIA DE LUTA! Nesta quarta (18), às 13h, eletricitários farão ato em frente ao TCU contra privatização da Eletrobras
Escrito por 17 de maio de 2022
No dia de ontem, 16 de maio, a Eletrobras divulgou os resultados do balanço do 1º trimestre de 2022. A estatal lucrou R$ 2,7 bi no período, uma elevação de 70% em relação ao 1º tri de 2021. A empresa também divulgou redução do endividamento e registrou R$ 15 bilhões em caixa. Nada disso é novidade. Os trabalhadores da Eletrobras e suas subsidiárias têm conduzido a estatal a sucessivos lucros bilionários nos últimos anos. Mas se a empresa da lucros sucessivos, tem endividamento baixo, tem dinheiro caixa e está pronta para investir, por que a insistência em privatizar? A resposta não é coerente, mas é simples: agentes públicos defendendo interesses privados. É a velha máxima da porta giratória do mercado assumindo cargos no governo e voltando ao mercado.
O mais recente elemento deste dado viciado é Adolfo Sachsida, ex-assessor de Paulo Guedes no Ministério da Economia, da turma dos chicago boys, caiu de paraquedas no Ministério de Minas e Energia. Mal chegou, já falou em privatizar PPSA, Petrobras e Eletrobras. Sachsida substituiu o Almirante Bento Albuquerque que foi o último fritado publicamente para justificar a vitimização de Bolsonaro sobre o aumento desenfreado da política de Preço de Paridade Internacional nos combustíveis da Petrobras. A mudança recente de presidentes da Petrobras escancara que de nada adianta mudar cabeças se não muda a política de liberalização de preços que pune a população, o consumidor, o orçamento das famílias.
E é exatamente isso que estão fazendo agora na Eletrobras. Seria o que no famoso bordão de um comercial nos anos 80 se chamava de “efeito orloff” “eu sou você amanhã”. Explicamos. A política de preços desenfreada da Petrobras que hoje assola os consumidores e é combatida de forma hipócrita pelo governo, é muito similar com efeito do preço da energia depois de uma eventual privatização da Eletrobras amanhã. A descotização das 22 hidrelétricas impostas na privatização vai elevar o MWh de R$ 80,00 para R$ 250,00. E depois (naturalmente) o governo vai dizer que não sabia, que é refém, que precisa mudar ministros, presidentes de estatais…
Estamos nas últimas semanas possíveis de se realizar a privatização da Eletrobras em 2022. A imprensa já anuncia que grupos econômicos como Grupo 3G (Lehmann), ITAUSA, Fundo Soberano de Cingapura e Fundos de Pensão Canadenses pressionam o governo para que a venda da Eletrobras saia ainda este ano.
E para isso acontecer, é preciso que amanhã (18/05) os Ministros do Tribunal de Contas da União aprovem a segunda etapa do acórdão da modelagem da privatização da Eletrobras. Para isso, Adolfo Sachsida tem feito pressão ostensiva aos Ministros na mídia e nos bastidores do Tribunal sem nenhum respeito ou algum caráter institucional. Jagunços do mercado correm para privatizar a Eletrobras de qualquer jeito, custe o que custar.
O processo volta à pauta na Suprema Corte de Contas depois de um pedido de vistas de 20 dias do Ministro Vital do Rego Filho. Com apenas duas horas para analisar o voto do relator Ministro Aroldo Cedraz, Vital encontrou pelo menos quatro pontos que mereceriam revisão.
Olhar para a privatização da Eletrobras no TCU é se deparar com: uma subavaliação R$ 63 bilhões com a retirada da componente relativa à venda de lastro de capacidade pelas Usinas da Eletrobras; uma cláusula leonina/draconiana de poison pills que objetiva abortar qualquer hipótese de reestatização; inconstitucionalidade quanto ao setor nuclear, estranho rearranjo societário da Eletronuclear e alto risco para o Programa Nuclear Brasileiro; estudos de impacto tarifário que tramitam sob sigilo no TCU sem nenhuma justificativa, já que em uma eventual privatização o governo deve dizer ao consumidor claramente qual será o impacto na conta de luz; Pedalada contábil e o alto contingenciamento do empréstimo compulsório que pode ser revertido após a privatização e transformado em dividendos ao novos acionistas; risco de governança internacional e fragilidades no acordo de Itaipu Binacional com o Paraguai a ser administrado pela incipiente ENBPAR; Inadequação do preço de referência de longo prazo para valuation da empresa; Revisão das garantias físicas das hidrelétricas.
Além disso tudo, temos ainda uma auditoria em curso no TCU sobre as provisões do empréstimo compulsório e dois processos de fiscalização e controle do Congresso em conclusão no TCU até o fim do mês. O tempo adequado para fiscalização e controle deve ser sagrado, respeitado. O governo não pode colocar nas instituições os fardos da sua incompetência até para ser privatista, vendilhão.
Amanhã, 18/05, nós eletricitárias e eletricitários de todo o Brasil estaremos na porta do TCU e das nossas sedes por todo Brasil, unidos em consolidação de forças com parlamentares guerreiros, movimentos sociais, outras estatais, servidores e familiares. É preciso, acima de tudo, ter coragem e espírito republicano para combater interesses nefastos e entreguistas! Vamos derrotar estes covardes, companheiros!
Amanhã é o grande dia! Hora do sprint final! Tem luta! Ninguém solta a mão de ninguém!
Por: Salve a Energia
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