Doria tira Grito dos Excluídos da Paulista e movimentos sociais criticam
Raimundo Bonfim, da Central dos Movimentos Populares (CMP), afirma que decisão do governo paulista fere alternância estabelecida pela Justiça
Escrito por 23 de agosto de 2021
Escrito por: MÍDIA NINJA
O governador João Doria (PSDB) definiu que apenas bolsonaristas poderão se manifestar na Avenida Paulista, no próximo dia 7 de setembro, impedindo a realização do tradicional Grito dos Excluídos no local. Os movimentos sociais alegam que a decisão é “incoerente” e representa um “retrocesso” à democracia do país.
De acordo com a Folha de S.Paulo, o governo Doria se apoia numa decisão judicial de junho do ano passado, que a proíbe ocupação da Avenida Paulista por lados políticos opostos no mesmo dia e estabelece a alternância do local.
O coordenador nacional da Central dos Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim, diz não reconhecer a decisão da gestão estadual e aponta erros. “A última manifestação contrária ao Bolsonaro, no dia 24 de julho, só teve um pedido de realização, ou seja, não há duplicidade. A última vez que houve um pedido duplo foi no 1º de maio, e os bolsonaristas ficaram com a Paulista. Nós fomos para a Praça da Sé. Então, a gente tem preferência dessa vez”, explicou à RBA.
Segundo o governo Doria, os bolsonaristas poderão utilizar o espaço para se manifestar no dia 7, enquanto no dia 12 de setembro tem um ato programado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e o Novo “contra Bolsonaro”.
“Doria tenta criar uma falsa narrativa dizendo que destinará a Paulista aos bolsonaristas no dia 7, porque no dia 12 tem um ato contrário. Isso é um bode na sala, é um verniz do Doria para parecer democrático. É uma incoerência e narrativa falsa”, criticou Raimundo.
Grito dos Excluídos
Há 12 anos, a Central dos Movimentos Populares (CMP) e entidades e organizações realizam o Grito dos Excluídos na Paulista. A mobilização ocorre desde 1995, promovida por movimentos sociais e Igreja Católica, e reúne milhares de pessoas em diversas partes do país.
Na última quinta-feira (19), os movimentos populares foram ao Ministério Público do Estado de São Paulo pelo direito de realizar o ‘Grito dos Excluídos’ e os atos ‘Fora Bolsonaro’ na Avenida Paulista, em São Paulo. Na representação, os líderes da manifestação afirmam que o objetivo é que a Procuradoria Geral de Justiça de São Paulo promova “as medidas administrativas e judiciais necessárias, inclusive a requisição dos protocolos de notificações dos atos e eventos perante à Polícia Militar, para garantir o direito de reunião e manifestação dos autores.”
“Seria um enorme retrocesso judicial e político. Depois de 12 anos, o Grito dos Excluídos sairia da Paulista para dar lugar a uma manifestação antidemocrática com cunho fascista. Por isso, vamos continuar lutando para garantir nosso espaço no local. Em 1984, o então governador Franco Montoro abriu o transporte para o povo paulista participar das ‘Diretas Já’, enquanto ,em 2021, Doria vai levar a avenida para os defensores da ditadura”, acrescentou Raimundo.
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