“Parem de nos matar”: mulheres vão às ruas contra a violência no 8 de Março
Protestos do 8 de Março reuniram sindicatos, movimentos sociais e lideranças políticas em defesa da vida das mulheres e de mais direitos
Escrito por André Accarini e Walber Pinto | CUT 9 de março de 2026
A CUT, sindicatos, movimentos de mulheres e movimentos sociais foram às ruas em diversas cidades do país neste domingo (8), Dia Internacional das Mulheres, para denunciar a violência de gênero, defender direitos e cobrar mais representatividade feminina nos espaços de poder. Os atos reuniram organizações feministas, centrais sindicais e movimentos populares em mobilizações que ocorreram ao longo do dia em capitais e cidades do interior.
As manifestações tiveram como principais bandeiras o combate ao feminicídio, o fim da escala 6×1, a ampliação da participação das mulheres na política, a defesa da democracia e da soberania dos povos. Em várias cidades, os protestos também lembraram casos recentes de violência contra mulheres e cobraram políticas públicas mais efetivas de proteção.
O chamado deste 8 de Março tem como centro um problema estrutural da sociedade. O enfrentamento à violência além de mudança radical de comportamento dos homens em relação às mulheres, exige também mudanças nas condições de trabalho, na divisão do cuidado e na ocupação dos espaços de decisão política – temas que foram visibilizados nas mobilizações organizadas em todo o país.
“Basta de violência”
Em Brasília, mulheres se reuniram na Funarte para marcar a data com falas de lideranças sindicais e de movimentos sociais. O ato contou com participação de entidades e a presença da deputada federal Érica Kokay.
A secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Amanda Corcino, destacou que o 8 de Março é um dia de mobilização para denunciar a violência contra as mulheres e defender direitos.
“Nesse 8 de março, dia internacional de luta das mulheres, nós estamos ocupando as ruas desde o início da manhã para dizer basta, basta de violência, para denunciar essa triste realidade em que a cada 24 horas quatro mulheres são assassinadas no nosso país. Para dizer que criança não é esposa, que criança não é mãe e também protestando contra o avanço do imperialismo no mundo”, afirmou.
Durante o ato em Brasília, a dirigente, ressaltou também outros aspectos cruciais da realidade das mulheres, entre eles, o impacto por conflitos internacionais e crises econômicas. “Governos autoritários têm políticas que promovem guerras e sanções econômicas, em que nós mulheres sentimos os primeiros impactos”, disse.
A dirigente também ressaltou que 2026 é um ano eleitoral e defendeu maior presença feminina no Congresso Nacional. “Nós estamos nas ruas para dizer que precisamos aumentar a nossa representatividade no Congresso Nacional, elegendo mulheres progressistas, mulheres feministas comprometidas com as nossas pautas e com as nossas lutas.”
Pauta nacional
Outro tema presente nas mobilizações foi a defesa do fim da escala 6×1, considerada uma jornada que aprofunda a sobrecarga de trabalho sobre as mulheres. “Somos nós mulheres que temos as jornadas mais longas e exaustivas. Mas esse debate precisa vir acompanhado da discussão sobre a participação no trabalho de cuidados para que o fim da escala 6 por 1 tenha efetividade na vida das mulheres”, afirmou.
Estamos nas ruas pelo direito à vida, pela soberania dos povos, por mais representatividade na política e pelo fim da escala 6 por 1










