O Pinto do Visconde mobiliza a comunidade do Brás na luta contra a escala 6×1
Bloco abriu os festejos do carnaval 2026 e envolveu a comunidade local, mesmo sob chuva
Escrito por : Laiza Lopes - CUT São Paulo 9 de fevereiro de 2026
Celebrando 17 anos de tradição carnavalesca, o bloco O Pinto do Visconde saiu às ruas do Brás na última sexta-feira, 6. Mesmo sob chuva, os foliões ecoaram o mote “Trabalhar para viver, não viver para trabalhar” e as tradicionais marchinhas nos quarteirões do bairro, envolvendo a população local.
Neste ano, o bloco propôs um diálogo direto com a realidade de milhões de trabalhadoras e trabalhadores submetidos a jornadas extenuantes, escalas abusivas e à lógica perversa que reduz a vida ao trabalho. A pauta está diretamente conectada com o Brás, lugar com forte ligação com a história da classe trabalhadora, onde floresceram sindicatos, associações de trabalhadores, greves históricas e lutas por direitos, como a jornada de 8 horas e melhores condições de trabalho.
Participante do festejo, o presidente da CUT São Paulo, Raimundo Suzart, ressaltou a importância de conscientizar a população. “Estamos discutindo a redução da jornada de trabalho sem redução de salário, o direito ao lazer e cultura, ressaltando que o bloco é livre, de acesso a todos e todas”, aponta.
Além da proposta cultural e de diversão do Pinto do Visconde, que tem como nome a junção das ruas Caetano Pinto e Visconde de Parnaíba, o bloco se consolida também como um espaço de crítica social.
“É importante falarmos dos blocos que estão sendo criminalizados e com risco de não sair às ruas por conta da gestão do prefeito de São Paulo, que mais uma vez ataca a cultura da cidade. Trazemos alegria, mas também a luta dos trabalhadores e trabalhadoras que fizeram esse bloco ser realidade”, comenta Carlos Fábio (Índio), secretário de Cultura da CUT-SP.
Blocos tradicionais da cidade de São Paulo correm o risco de não desfilar. Os organizadores denunciam o formato de fomento oferecido pela gestão do atual prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Em 2025, o carnaval paulistano movimentou R$ 3,4 bilhões na economia da cidade. Apesar disso, neste ano, apenas 100 blocos foram selecionados para receber apoio financeiro da prefeitura, com repasses de até R$ 25 mil cada um.










