CS 2026: ISA Energia mantém proposta econômica e retira algumas maldades; Sindicatos rejeitam e negociação continua
5ª rodada, que tinha expectativa de encerrar as negociações, terminou sem acordo. Entidades sindicais cobram avanços e nova reunião acontece nesta quinta-feira (3)
Escrito por Débora Piloni, com informações da Secretaria Geral do Sinergia CUT 1 de setembro de 2026
A expectativa da empresa era de que a quinta rodada encerrasse as negociações da Campanha Salarial 2026, mas não foi o que aconteceu. A proposta apresentada pela ISA Energia (Cteep) nesta segunda-feira (31) foi novamente rejeitada pelo Sinergia CUT e pelas demais entidades sindicais, que cobraram avanços e a continuidade das negociações. Com isso, uma nova rodada foi marcada para esta quinta-feira (3), no período da manhã.
Na reunião, a ISA Energia apresentou inicialmente um novo pleito relacionado às horas extras com adicional de 50%, em que acrescentaria mais 10 horas extras em banco de horas, para utilização em treinamentos ofertados pela ISA, compensadas em até 150 dias. Após manifestações contrárias dos sindicatos, a empresa solicitou um intervalo e retirou seu pleito.
Proposta econômica
A ISA Energia manteve a proposta de reajuste de 4,72% (IPCA) para salários e gratificação de férias e de 5,72% para os benefícios de alimentação, vale-alimentação/cesta básica, vale-refeição, cesta de Natal, auxílio-creche/babá, filho com deficiência/pessoa com deficiência e auxílio-bolsa de estudo.
A proposta prevê ACT com vigência de dois anos, de 2026 a 2028, e reajuste dos itens econômicos e financeiros retroativo à data-base de 1º de junho de 2026.
Também prevê o pagamento do adiantamento do 13º salário em 15 de janeiro de 2027 e adiantamento de 35% da remuneração-base no dia 15 de cada mês, desde que os sindicatos esclareçam aos trabalhadores que a antecipação terá reflexo no fluxo de caixa dos salários no final do mês, com consequente diminuição dos valores disponíveis.
Pleitos solicitados e concedidos
A ISA Energia também reiterou os pleitos dos sindicatos que estão sendo atendidos, entre eles antecipação do 13º salário, empréstimos por meio de parceria com a Vivest, tecnologia e capacitação, recrutamento interno, direção defensiva, Plano Verão, tecnologia limpa, segurança, diversidade e inclusão, ampliação das licenças paternidade e maternidade, isonomia remuneratória de gênero, exames periódicos e medidas relacionadas à violência e ao assédio.
Também estão contemplados a antecipação do 13º salário para 15 de janeiro de 2027, a oferta de cursos e treinamentos de requalificação profissional diante dos processos de automação e inteligência artificial e a concessão de curso de direção defensiva.
Entre os pleitos admitidos estão a licença-paternidade ampliada de 20 dias e a licença-maternidade de 180 dias, incluindo as regras previstas para pais adotivos com guarda judicial e para a comunidade LGBTQIA+.
Sindicatos rejeitam a proposta
O Sinergia CUT e as demais entidades sindicais afirmaram que a empresa manteve a mesma proposta econômica da reunião anterior e, solicitaram a continuidade da mesa de negociação.
Os sindicatos também consideram que o teto salarial com valor fixo de R$ 17 mil para trabalhadores ativos e aposentados abrangidos pela Lei 4.819 permanece entre os principais pontos de divergência.
As entidades sindicais entendem que o valor proposto não recompõe integralmente a inflação do período e prejudica aqueles que ultrapassam o limite estabelecido.
A adoção de parcela fixa ou teto nominal, segundo as entidades, reduz progressivamente o percentual efetivo de reajuste e compromete a preservação do poder aquisitivo, da paridade e das condições remuneratórias protegidas. Por isso, reivindicam reajuste percentual integral e sem teto para todos os abrangidos.
Avanços precisam estar no ACT
As entidades sindicais entendem que é necessária a evolução da negociação, principalmente em relação ao teto fixo aplicável aos trabalhadores da ativa e aos abrangidos pela Lei 4.819.
Apesar dos avanços em alguns dos pleitos apresentados, os sindicatos defendem que os compromissos assumidos pela ISA Energia sejam efetivamente incorporados ao Acordo Coletivo de Trabalho.
Para a bancada dos trabalhadores, declarações de intenção, práticas internas ou referências ao cumprimento da legislação não substituem cláusulas coletivas. Por isso, reivindicam redação clara, objetiva e vinculante, com definição de beneficiários, obrigações, prazos, critérios, mecanismos de acompanhamento e participação sindical.
As sugestões de cláusulas elaboradas foram encaminhadas e deverão servir de base para a continuidade da negociação. As entidades também ratificaram as demais reivindicações da categoria, entre elas o devido pagamento das despesas de viagem, o Programa de Incentivo à Aposentadoria (PIA) e o pagamento de sobreaviso.
Negociação continua
Os sindicatos permanecem disponíveis para a continuidade das negociações e condicionam eventual aprovação à apresentação de uma proposta global que assegure aumento real, recomposição adequada dos benefícios, preservação das condições mais favoráveis e formalização das novas cláusulas nos termos das redações sindicais apresentadas.
Uma nova rodada de negociação será realizada nesta quinta-feira (3), no período da manhã, em local ainda a ser definido. Fique ligado!










