Sindicalistas de Campinas criticam estratégia de grandes empresários para adiar votação sobre o fim da escala 6×1
Lideranças de Campinas e das centrais sindicais paulistas criticam tentativa de postergar votação para após as eleições; dirigentes defendem que redução de jornada aumenta produtividade e saúde
Escrito por Israel Moreira - PORQUE Campinas 25 de fevereiro de 2026
Lideranças sindicais e representantes de diferentes categorias profissionais intensificaram a mobilização para impedir que a votação sobre o fim da escala 6×1 seja postergada no Congresso Nacional. O movimento é uma resposta direta à articulação de associações empresariais que buscam adiar o debate para depois das eleições. Enquanto o setor produtivo alega necessidade de cautela técnica, os dirigentes sindicais argumentam que a manutenção da jornada atual ignora o adoecimento dos trabalhadores na nova realidade do mundo do trabalho e a viabilidade econômica de modelos de cargas horárias reduzidas.
Dignidade e saúde do trabalhador
Para Edilene Santana, dirigente dos Químicos Unificados, do setor químico, a escala que prevê apenas um dia de folga após seis de trabalho é um modelo de superexploração que compromete a estrutura social. Ela defende que a mudança é uma necessidade urgente para garantir o direito ao descanso e à saúde. “A escala 6×1 é pesada e adoece os trabalhadores. Falta tempo para a família, para o lazer e até para cuidar da própria saúde. Isso não é apenas sobre jornada, é sobre dignidade, afirma a dirigente, reforçando que o fim desse modelo deve ocorrer sem redução salarial”, afirma.
Em Campinas, outro foco da críticas vem do setor da construção civil. Jucelino Junior, dirigente do SINTCOM (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Campinas e Região), explica que convocou a base de trabalhadores a pressionar os parlamentares diante do que chama de “ação orquestrada pelos patrões”. Segundo ele, o setor empresarial utiliza pautas de costumes para desviar o foco de uma agenda que prejudica o trabalhador. “Só com a mobilização conseguiremos avançar. Precisamos cobrar os parlamentares, pois esse adiamento representa os interesses de quem quer manter uma agenda inimiga do povo”, pontua Jucelino.

Histórico e produtividade
Carlos Eduardo Fábio, o Índio, dirigente da CUT-SP, ressalta que o discurso de resistência das grandes corporações é recorrente na história das conquistas trabalhistas brasileiras. Ele recorda que argumentos sobre prejuízos econômicos foram utilizados contra o 13º salário e reduções de jornada anteriores, mas que a prática em grandes empresas metalúrgicas e do setor energético prova o contrário.
“O trabalhador sem tempo de descanso é um trabalhador sem tempo de pensar. Já temos a comprovação em acordos coletivos de que jornadas de 40 horas semanais garantem maior qualidade de vida e, consequentemente, maior produtividade e lucro para as empresas, argumenta o dirigente. Índio destaca ainda que o aumento do tempo livre estimula o consumo interno, o que pode impactar positivamente o PIB nacional”, avalia Carlos Fábio.
Posicionamento empresarial e tramitação
Do lado das entidades patronais, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) defendem que o tema seja tratado com serenidade, longe do fervor do calendário eleitoral. O presidente da CNT, Vander Costa, declarou que o objetivo não é o atraso deliberado, mas evitar uma votação apressada que possa elevar custos e pressionar a inflação.
Atualmente, o Congresso analisa diversas frentes para a mudança: desde a PEC 148/2015, já aprovada na CCJ do Senado, até a PEC 8/2025, que propõe o modelo de quatro dias de trabalho (4×3). Apesar do apoio de 73% da população ao fim da escala 6×1, segundo dados da Nexus Pesquisa, o tema enfrenta forte resistência no Legislativo, onde 70% dos parlamentares manifestaram rejeição à jornada de quatro dias em levantamento realizado em julho de 2025.










