Sergio Nobre: chega de esperar. Redução de jornada já, sem transição
Com o tema “Limites e possibilidades para a redução da jornada de trabalho - perspectiva da classe trabalhadora”, Sergio Nobre e dirigentes sindicais participaram de audiência pública pelo fim da escala 6X1
Escrito por Rosely Rocha | CUT Nacional 20 de maio de 2026
O presidente da CUT, Sergio Nobre, e representantes das demais centrais sindicais defenderam o fim da escala 6X1, com redução de jornada para 40 horas e sem corte salarial, com início imediato, sem transição de tempo, e sem compensação financeira às empresas como tem proposto parlamentares da oposição ao governo Lula e entidades empresariais.
“Nós não vemos sentido esperar mais quatro anos, mais cinco anos, como estão falando. Então, chega! As condições estão dadas, a econômica está dada, é uma exigência da sociedade e nós queremos 40 horas, não é com transição não, 40 horas já! “, disse Sergio Nobre, ao lembrar que a defesa da redução da jornada é feita pelas centrais sindicais desde 1988.
A declaração do presidente da CUT foi feita durante a audiência pública “Limites e possibilidades para a redução da jornada de trabalho – perspectiva da classe trabalhadora”, realizada na Câmara Federal, nesta terça-feira (17), mediada pelo deputado Alencar Santana (PT-SP), e que contou com a presença à mesa do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), um dos autores da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), sobre o tema.
Negociação coletiva
Tanto o presidente da CUT como os demais representantes das centrais sindicais presentes defenderam que a redução de jornada e a distribuição da carga de trabalho sejam feitas por negociação coletiva com os sindicatos. “O movimento sindical tem uma experiência de longo tempo, vasta, em reduzir a jornada de trabalho por acordo e negociação coletiva, seja por acordo, seja por convenção coletiva”, declarou Sergio Nobre.
“Quando você reduz a jornada, você tem que reorganizar as escalas de trabalho. E os trabalhadores organizam a sua vida pessoal em função dos seus horários de trabalho, é em função do horário de trabalho que ele decide estudar, buscar o filho na escola, praticar esporte, ir à igreja, enfim, é fundamental que as pessoas possam manter a sua rotina. Por isso que o diálogo, a negociação coletiva e o acordo é fundamental para que a redução tenha o efeito que a gente quer, que seja bom para todo mundo”, prosseguiu.
Maior produtividade e menores custos
Sergio Nobre rechaçou os argumentos de que as empresas terão prejuízos financeiros se implementarem a escala 5×2. “Todas as experiências práticas que nós tivemos mostraram que a visão do empresariado de que a redução aumenta o custo e reduz a produtividade não se confirmaram em nenhum caso. Então, o aumento do custo, ele foi na compensado pela redução de outros custos”, contou.
Nobre afirmou que “caiu de maneira muito significativa o número de faltas ao trabalho, um dos principais custos das empresas, caiu de maneira expressiva os acidentes de trabalho, um custo não só para as empresas, mas também para a sociedade, em especial a Previdência Social, o Estado. Aumentou a produtividade, ao contrário do que dizem, porque o trabalhador descansado, ele passou a produzir mais por hora trabalhada”.
Ele ressaltou ainda que com a redução de jornada o trabalhador e a trabalhadora descansados produzem melhor. “Esse foi o resultado da experiência, ou seja, ganhou a empresa, ganhou o trabalhador, ganhou a família, porque ganhou a qualidade de vida e ganhou o Estado e ganhou a sociedade. Portanto, nós não vemos sentido nesse debate de contrapartida para as empresas para reduzir a jornada de trabalho”.
O presidente da CUT disse estar preocupado com matérias que saem nos jornais de que há propostas de compensação financeira que não fazem sentido, inclusive, o de cortar 50% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, para evitar “prejuízos financeiros” dos empresários.
“Esse é um crime, se isso for verdade, porque o FGTS é o que protege o trabalhador no momento mais duro da vida dele, que é quando ele fica desempregado ou quando ele busca a primeira casa para ele poder morar, que é um sonho de todo trabalhador. Então, a gente gostaria de registrar aqui o nosso repúdio a esse tipo de proposta, porque não é preciso compensação, porque a proposta ela se paga”, disse.
O grande fator que pesa muito, é a jornada de trabalho extensa, a rigidez das escalas de trabalho, em especial a escala seis por um, que torna impossível conciliar o trabalho com a vida. O trabalho é muito importante, mas ele não pode impedir a pessoa de ser um bom pai, de ser uma boa mãe, de cuidar dos filhos
– Sergio Nobre
Sindicalistas presentes à audiência pública
Sergio Nobre, Presidente da CUT
Sérgio Leite, Diretor da Força Sindical
Norton Jubelli , Diretor da UGT
Antonio Neto, Presidente da CSB
Moacyr Ayer Correia Andrade, Diretor da CTB
Sônia Zerino, Presidenta da NCST
José Gozze, Presidente da Pública Central do Servidor
Wilson Pereira, Diretor da Contratuh e do FST
Clemente Ganz Lúcio, Coordenador do Fórum das Centrais Sindicais
Claudinea Bueno de Meira, Diretora da Intersindical Central da Classe Trabalhadora
Neuriberg Dias do Rêgo, Representante do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar – DIAP
Deputados que na audiência apoiaram a redução de jornada
Hildo Rocha (MDB-MA), Reginaldo Lopes (PT-MG), um dos autores da proposta, o presidente da Comissão do Trabalho, Max Lemos (União-RJ); Maria do Rosário (PT-RS) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Natália Bonavides (PT-RN), Alfredinho (PT-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG).










