Dia 15

Presidente da CUT convoca sindicatos à Marcha da Classe Trabalhadora em Brasília

Sérgio Nobre: no dia 15 de abril, vamos ocupar as ruas por empregos dignos, direitos, redução da jornada, fim da escala 6x1, combate à pejotização, valorização das negociações coletivas

Escrito por Walber Pinto e André Accarini | Editado por: Vanilda Oliveira | CUT 9 de abril de 2026
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Autor da foto: Dino Santos

“Com unidade do movimento sindical, vamos a Brasília no dia 15 de abril com as nossas pautas históricas e prioridades atuais para, mais uma vez, fazer uma grande marcha em defesa da classe trabalhadora, para pressionar e cobrar mais direitos, mais empregos, mais saúde e mais educação. Todas as categorias estarão representadas, para que cada uma leve a sua bandeira de luta e, juntos, defenderemos a Pauta da Classe Trabalhadora 2026.”

A convocação é do presidente nacional da CUT, Sergio Nobre, para a Marcha da Classe Trabalhadora, no dia 15 de abril, na capital federal.

A marcha será precedida de plenária da CONCLAT (Conferência da Classe Trabalhadora), que aprovará a Pauta da Classe Trabalhadora atualizada com as prioridades para o período de 2026 a 2030.

O documento será entregue ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a ministros, à Câmara dos Deputados e ao Senado. A concentração e a Conferência acontecerão a partir das 8h, e o início da marcha rumo à Esplanada dos Ministérios será às 10h30.

Pauta

A Pauta da Classe Trabalhadora é um documento elaborado de forma unitária pelas centrais sindicais. Resultado da CONCLAT realizada em abril de 2022, a pauta é atualizada todos os anos, com as reivindicações e proposições prioritárias para o período.

Este ano, a pauta tem 68 itens, entre eles: a redução da jornada de trabalho sem redução de salário e o fim da escala 6×1; valorização e fortalecimento da negociação coletiva; direito de negociação para servidores; regulamentação do trabalho por aplicativos; combate à pejotização irrestrita; e enfrentamento ao feminicídio.

O objetivo da Pauta da Classe Trabalhadora é, ao estabelecer prioridades para 2026, servir como referencial do movimento sindical para orientar mobilizações, negociações, ações e atuações institucionais em níveis nacional, regional e setorial.

Para Sergio Nobre, que reforça a importância da participação de sindicatos e ramos da CUT na mobilização, a marcha representa um passo importante para avançar nas pautas da classe trabalhadora. “Queremos uma sociedade na qual o trabalhador seja respeitado.”

Em 2022, a Pauta da Classe Trabalhadora aprovada na CONCLAT apontou 63 diretrizes relativas ao mundo do trabalho, das quais muitas foram encaminhadas pelo governo federal, como: a política de valorização do salário mínimo; a política de igualdade salarial entre mulheres e homens; a retomada e ampliação do Bolsa Família; a recuperação da participação sindical nos espaços institucionais; a política de combate à fome e à pobreza; a correção da tabela do Imposto de Renda; a reforma tributária (isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil); medidas para reduzir o endividamento das famílias e o custo do crédito por meio do consignado; política de desenvolvimento produtivo e industrial; crédito às pequenas empresas; proposta de regulação da proteção dos trabalhadores e trabalhadoras mediados por aplicativos, entre outras.

A avaliação é de que cerca de 70% dessa pauta foi implementada pelo governo desde 2022 ou foi encaminhada e está em tramitação/deliberação no Congresso Nacional.

Agendas do Legislativo e do Judiciário

Além da atualização da Pauta da Classe Trabalhadora, as centrais sindicais também atualizaram a agenda sindical unitária no Congresso Nacional e no Judiciário. Os dois documentos trazem os projetos prioritários e de interesse dos trabalhadores em 2026, que tramitam na Câmara dos Deputados e no Senado, e os processos relevantes à classe trabalhadora no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Superior Eleitoral. As agendas serão entregues aos presidentes da Câmara, do Senado, do STF e do TSE.

“A agenda do Congresso Nacional precisa refletir as necessidades do povo, como o fim da escala 6 por 1 e a redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Vamos entregar essas demandas ao deputado Hugo Mota [presidente da Câmara dos Deputados]”, afirma Sergio Nobre.

Para o presidente nacional da CUT, é preciso reforçar o papel das instituições na garantia de direitos. Ele exemplifica que o tema da pejotização, hoje em debate no STF, deve ocorrer, na verdade, nas instâncias do trabalho e por meio de negociações coletivas, e não ser decidido de forma isolada pelo Judiciário. “Temas do mundo do trabalho, como esse, têm que ser tratados com negociação entre trabalhadores e empresários”, afirma.

Sergio Nobre destacou que a marcha também se manifestará contra a guerra e todos os desastres que ela causa não somente aos países envolvidos, mas a todo o mundo. “O conflito acontece a 12 mil quilômetros do Brasil, mas o povo é que paga a conta, porque aumentam os preços dos combustíveis, dos alimentos, de tudo.”

Programação

A concentração para a Marcha começa às 8h, no estacionamento do Teatro Nacional, próximo à Rodoviária e em frente à Catedral. Às 9h, será realizada a Plenária da CONCLAT, reunindo lideranças sindicais, movimentos populares e delegações de diversos estados.

A marcha sairá às 10h30 em direção à Esplanada dos Ministérios.

À tarde, dirigentes das centrais sindicais entregarão a pauta de reivindicações ao presidente Lula e a ministros.

A expectativa, de acordo com Renato Zulato, secretário-geral nacional da CUT, é de uma grande mobilização: “Estamos organizando caravanas de todo o país, com participação das estaduais, sindicatos e movimentos sociais, para dar força a esse processo.”

A mobilização integra a jornada nacional de lutas e se articula com as atividades do 1º de Maio, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora.

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