Nota da CUT: redução da taxa Selic para 14,25% ainda sufoca o povo brasileiro
CUT critica a redução de 0,25% na Selic, considerando insuficiente. Para a Central, os juros altos sufocam o povo e beneficiam rentistas, sendo urgente acelerar a queda para gerar mais empregos
Escrito por CUT 30 de abril de 2026
A Central Única dos Trabalhadores – CUT Brasil – afirma que a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros (selic) em apenas 0,25 ponto percentual é insuficiente frente às necessidades urgentes do povo trabalhador e às reais condições da economia brasileira. Embora a redução sinalize um reconhecimento tardio de que a política monetária excessivamente restritiva fracassou, o ritmo lento e conservador imposto pelo Banco Central mantém o Brasil refém de uma das maiores taxas reais de juros do mundo. Essa política beneficia o rentismo e o sistema financeiro, ao mesmo tempo em que penaliza duramente quem vive do trabalho, as pequenas e médias empresas e o desenvolvimento nacional.
A CUT vem denunciando reiteradamente que não há justificativa econômica ou social para a manutenção de juros tão elevados. A inflação está sob controle, dentro das metas, com trajetória de desaceleração consistente. O país apresenta melhora nos indicadores fiscais, retomada do crescimento econômico, aumento do emprego e fortalecimento do mercado interno. Mesmo assim, o Banco Central insiste em uma política que trava o crédito, desestimula investimentos produtivos e limita a geração de empregos de qualidade.
Os juros altos são um verdadeiro mecanismo de transferência de renda do conjunto da sociedade para uma minoria rentista. O custo da dívida pública consome recursos que deveriam estar sendo direcionados para saúde, educação, políticas de moradia, infraestrutura, fortalecimento dos serviços públicos e valorização do salário mínimo. Cada decisão de manter juros elevados significa menos políticas públicas, mais desigualdade e piora direta na qualidade de vida da classe trabalhadora.
É preciso dizer com todas as letras: a política de juros altos aprofunda a exclusão social e impede que o Brasil avance em um projeto de desenvolvimento soberano, inclusivo e sustentável. Não se trata de um debate técnico restrito a gabinetes ou ao mercado financeiro, mas de uma escolha política que impacta o preço dos alimentos, o acesso ao crédito, o emprego, a renda e o futuro de milhões de famílias. Esse é um debate do povo brasileiro.
Por isso, a CUT reforça a necessidade de ampliar o debate público sobre os rumos da taxa de juros. O povo trabalhador precisa ocupar esse debate, pressionar e exigir uma política monetária comprometida com o desenvolvimento econômico e a justiça social. A taxa de juros envolve a vida de todo mundo que trabalha e não pode continuar sendo definida de forma isolada, distante das necessidades reais da sociedade.
A CUT segue defendendo que o Banco Central avance na redução da Selic. Convocamos todas as entidades sindicais e o povo brasileiro a seguirem atuantes na Campanha Permanente #MenosJurosMaisEmpregos pela redução da taxa de juros e pelo fim da autonomia do Banco Central. Reduzir os juros de forma mais firme e acelerada é uma urgência nacional. O Brasil precisa romper com a lógica do rentismo e colocar a economia a serviço do povo.
Se é importante para o povo brasileiro, é uma luta da CUT!
Direção Executiva Nacional da CUT
30 de abril de 2026










