Agora é Pressão

Neste domingo, o povo pediu o fim da escala 6×1; votação deve ser em breve no Senado

Presidentes da CUT e das demais centrais recomendaram no ato em São Paulo para os trabalhadores e trabalhadoras aumentarem a pressão sobre os senadores. Atos aconteceram em diversas cidades do país

Escrito por André Accarini | Editado por: Rosely Rocha | CUT Nacional 31 de agosto de 2026
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Autor da foto: Elineudo Meira (Chokito)

O fim da escala 6×1, com redução da jornada de 44 horas semanais para 40 horas, sem redução salarial, está próximo de ser concretizado com a votação da PEC nº221/2019, que deverá ocorrer nos primeiros dias do mês de setembro, no Senado. O primeiro passo será a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), marcada para a próxima quarta-feira (2/9). Mas para que isso se torne uma realidade é preciso aumentar a pressão sobre os senadores e conseguir, no mínimo, 49 votos favoráveis dos 81 membros da Casa. E, é por isso, que trabalhadores e trabalhadoras ocuparam as ruas em diversas cidades do país, em manifestações organizadas pela CUT, demais centrais sindicais, as Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo e o movimento Vida além do Trabalho (VAT).

Foto: Elineudo Meira (Chokito)

Na capital de São Paulo o ato, na Avenida Paulista, que reuniu milhares de pessoas, contou também com a presença do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e de diversas centrais sindicais.

Foto: Elineudo Meira (Chokito)

Sergio Nobre destacou que a classe trabalhadora está muito perto de uma conquista histórica, o fim da escala 6×1, depois de 43 anos de luta da CUT e que estará nos próximos dias, em Brasília, pressionando os senadores para que votem favoravelmente ao texto da PEC.

Presidente da CUT , Sergio Nobre – Foto: André Accarini

“A partir de amanhã [31] vamos de gabinete em gabinete pressionando os senadores, vamos fazer ato na rua, no Brasil inteiro. Vamos para o metrô entregar o material pro povo pressionar os senadores, vamos trabalhar muito e isso é muito importante, porque nós não estaremos sozinhos na luta, pode ter certeza que a Fiesp e a CNI, os empresários, vão lá também pressionar os senadores. Por isso é importante que cada um de nós se engaje na mobilização essa semana pra pressionar os senadores”.

“Eu estou convencido de que será uma grande vitória que vai marcar a nossa trajetória por muitos e muitos anos”, afirmou Sergio Nobre.

O presidente da CUT também reafirmou o compromisso com a classe trabalhadora pela redução das atuais 44 horas para 40 horas semanais de trabalho e citou como exemplo, uma jovem que trabalha num restaurante das 11 da manhã até, muitas vezes, uma hora da madrugada do dia seguinte, e que em seu único dia de folga, só dormia, de tão cansada.

A gente sempre disse que o trabalho é importante na vida de qualquer pessoa, mas a gente tem que trabalhar pra viver e não viver pra trabalhar – Sergio Nobre

Presentes ao ato na Paulista, dirigentes das centrais sindicais reforçaram a defesa pelo fim da escala 6×1. Confira o que eles disseram:

Francisco Canindé Pegado do Nascimento – UGT

Para o secretário-geral da UGT, a redução da jornada é uma reivindicação histórica do movimento sindical e está diretamente relacionada à qualidade de vida dos trabalhadores. Pegado destaca ainda que a atual escala 6×1 pesa de forma ainda mais intensa sobre as mulheres, que acumulam a jornada profissional com o trabalho doméstico.

“Hoje a escala é seis por um para a mulher chama-se escala sete por zero. Hoje a mulher mesmo com o domingo de folga, ela chega em casa e ainda tem mais uma jornada de trabalho. Portanto, para a mulher a escala hoje é sete por zero. Nós queremos e vamos conseguir com essa escala seis por um. Vamos conseguir a jornada de trabalho de quarenta horas semanais. E vamos ter uma escala cinco por dois com o apoio dos trabalhadores e do povo brasileiro”

Miguel Torres – Força Sindical

O presidente da Força Sindical classificou a mobilização pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada para 40 horas como mais um capítulo da luta histórica dos trabalhadores por direitos. Para ele, a aprovação da medida depende da continuidade da mobilização durante a tramitação no Senado.

“Que nós possamos virar mais essa, ganhar mais essa que é a redução da jornada de trabalho quarenta horas semanais sem redução salarial e também o fim da escala seis por um. Isso está nas nossas mãos, está na nossa mobilização, a nossa mobilização tem que continuar o da votação no Senado Federal.”

Adilson Araújo – CTB

O presidente da CTB relacionou o fim da escala 6×1 à necessidade de garantir condições de trabalho mais dignas no país. Ao defender uma mudança na jornada, Adilson Araújo afirmou que o modelo atual não pode continuar fazendo parte da realidade dos trabalhadores brasileiros.

“As atividades do trabalhador no Brasil revelam que só temos um caminho para alcançarmos um projeto nacional de desenvolvimento com a centralidade e atenção ao trabalho digno, mas para a gente alcançar essa possibilidade, nós temos que pôr fim a famigerada escala seis por um porque não é mais possível conviver com essa realidade.”

Nailton Francisco de Souza – NCST

O vice-presidente da NCST afirmou que a votação sobre o fim da escala 6×1 entra em uma fase decisiva e destacou que o resultado dependerá da mobilização dos trabalhadores. Segundo ele, as centrais sindicais pretendem ampliar as ações de mobilização e pressão durante a semana que antecede a votação.

“Semana que vem os senadores irão votar ou não, o fim da escala seis por um. E o resultado positivo vai depender muito da nossa mobilização. A partir de amanhã as centrais sindicais e os sindicatos filiados às centrais sindicais estarão distribuindo jornais, panfletos e mobilizando a população.”

Segundo Nailton, dirigentes sindicais estarão mobilizando os trabalhadores e trabalhadoras, na segunda-feira (31), no Largo Concórdia; na terça-feira (1º/9) no Parque Dom Pedro e na quarta-feira (2) no Lago Treze, regiões da capital paulista.

Osvaldo Bezerra, Pipoka – Secretário de Mobilização da CUT-SP

Um dos organizadores do ato na Avenida Paulista, Osvaldo Bezerra, o Pipoka, avaliou que a mobilização realizada em diferentes capitais e a atuação das lideranças junto ao Congresso aumentaram as expectativas em torno da votação no Senado. Para ele, a redução da jornada e o fim da escala 6×1 são bandeiras que interessam diretamente à classe trabalhadora.

“Criou-se uma grande expectativa em relação à próxima semana, resultado das estratégia de pressão que circularam pelo Brasil nas várias capitais; e a presença contínua de lideranças na Câmara Federal e no Senado durante toda a semana visitando gabinete por gabinete.”

Para ver como foi os atos deste domingo pelo país, clique aqui.

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