Fim da escala 6×1 nas regiões
A pesquisa mostra que o apoio ao fim da escala 6×1 atravessa diferentes regiões do país e perfis sociais, embora seja mais forte entre trabalhadores de menor renda e setores identificados com a esquerda.
No Nordeste, 72% dos entrevistados defendem a mudança, índice mais alto entre as regiões brasileiras. No Sudeste, o percentual é de 66%; no Centro-Oeste e Norte, também de 66%; e no Sul, 63%.
Entre os brasileiros com renda familiar de até dois salários mínimos, 70% apoiam a proposta. O índice cai para 68% entre aqueles que recebem entre dois e cinco salários mínimos e para 62% na faixa acima de cinco salários mínimos.
A divisão política também aparece de forma clara nos resultados. Entre os entrevistados que se identificam como lulistas, 76% defendem o fim da escala 6×1, enquanto 17% são contrários. Na esquerda não lulista, o apoio chega a 88%.
Já entre os bolsonaristas, há divisão mais equilibrada: 44% se dizem favoráveis à redução da jornada e 42% contrários. Entre eleitores da direita não bolsonarista, 55% apoiam a mudança e 37% rejeitam a proposta.
O levantamento também mediu o nível de conhecimento da população sobre o debate. Segundo a Quaest, 43% afirmam acompanhar de perto as discussões sobre o tema, enquanto 29% disseram ter apenas ouvido falar do assunto. Outros 27% afirmaram não acompanhar o debate.
O interesse é maior entre pessoas com ensino superior: 59% desse grupo dizem acompanhar a discussão de perto. Entre os entrevistados com ensino fundamental, o percentual cai para 30%.
Apesar do apoio expressivo ao fim da escala 6×1, a pesquisa mostra mudança importante quando a possibilidade de redução salarial entra no debate. Nesse cenário, a maioria da população passa a rejeitar a proposta.
Segundo a Quaest, 56% dos entrevistados disseram ser contra a redução da jornada caso ela implique diminuição de salários. Apenas 39% afirmaram continuar favoráveis nesse contexto. Outros 4% não souberam responder.
A rejeição ao corte salarial aparece de forma relativamente homogênea entre diferentes grupos sociais, faixas etárias e regiões do país. No Sul, por exemplo, 64% rejeitam a hipótese de reduzir salários para compensar a diminuição da jornada. Entre eleitores de Jair Bolsonaro, o índice chega a 62%.
A proposta de redução da jornada se consolidou nos últimos meses como uma das pautas trabalhistas de maior repercussão nacional. Pesquisa Quaest divulgada em 2025 já apontava que o fim da escala 6×1 era um dos temas mais conhecidos entre os brasileiros, superando iniciativas do próprio governo federal, como a ampliação do Vale Gás e a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
O avanço do debate também foi impulsionado pela mobilização nas redes sociais e pela atuação do movimento VAT, que transformou a discussão sobre qualidade de vida, saúde mental e tempo livre dos trabalhadores em um dos principais temas do cenário político nacional em 2026.










