Ditadura nunca mais: CUT reafirma compromisso histórico com a democracia e soberania
No aniversário do golpe, a Central destaca a importância da verdade, justiça e reparação para consolidar a democracia
Escrito por CUT Nacional 31 de março de 2026
Neste 31 de março de 2026, quando se completam 62 anos do golpe militar de 1964, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) reafirma, com firmeza e sem concessões, seu compromisso histórico com a democracia, com os direitos do povo trabalhador e com a soberania nacional. Não esquecemos, não perdoamos e não aceitaremos qualquer tentativa de reescrever ou relativizar esse período de violência, repressão e ataque à classe trabalhadora.
A ditadura militar foi um projeto político das elites, sustentado não apenas pelas Forças Armadas, mas também pela ação direta de setores empresariais e pela ingerência internacional, especialmente dos Estados Unidos, como parte de uma estratégia mais ampla de controle sobre a América Latina. Foi um regime que perseguiu, prendeu, torturou e assassinou trabalhadores, estudantes e lideranças populares, ao mesmo tempo em que aprofundou desigualdades e concentrou renda.
Hoje, diante de um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas e pela crise do imperialismo estadunidense, assistimos à intensificação de violações do direito internacional e de ataques à soberania dos povos. Esse contexto exige vigilância permanente e reforça a necessidade de defender a democracia, a autodeterminação dos povos e os direitos da classe trabalhadora frente a qualquer tentativa de avanço autoritário.
A ditadura não foi apenas um período do passado — seus efeitos seguem presentes. A manutenção de estruturas como as polícias militares, criadas sob a lógica da repressão, é expressão concreta dessa herança autoritária que ainda pesa sobre o povo brasileiro, especialmente sobre a juventude negra e periférica.
A CUT nasceu da luta contra a ditadura e da organização da classe trabalhadora por direitos, democracia e melhores condições de vida. O movimento sindical esteve na linha de frente da resistência, enfrentando o autoritarismo nas fábricas, no campo, nas escolas e nas ruas, construindo a base das conquistas democráticas que temos hoje.
Denunciamos, mais uma vez, o papel de empresas que colaboraram com o regime ditatorial, seja financiando a repressão, fornecendo informações sobre trabalhadores, ou se beneficiando diretamente das violações de direitos. Esse passado não pode ser tratado como página virada. É inaceitável que empresas que participaram de um regime de exceção sigam impunes.
Por isso, reafirmamos: é necessária a responsabilização efetiva dessas empresas, há hoje 14 inquéritos no Ministério Público sobre empresas que cometeram graves violações de direitos contra trabalhadores, indígenas, camponeses, quilombolas, sindicalistas e outros grupos. Não há democracia plena sem verdade e justiça. Responsabilizar é também impedir que essas práticas se repitam sob novas formas no presente.
Neste ano eleitoral, a classe trabalhadora precisa afirmar um projeto político que rompa definitivamente com esse legado autoritário. Isso passa por mudanças estruturais, como a mudança do papel das polícias, a revisão da formação militar, o fim da militarização da educação, a alteração do artigo 142 da Constituição.
Sabemos que o debate sobre segurança pública tem ganhado força, mas não aceitaremos que ele seja capturado por soluções autoritárias, violentas e excludentes. Defendemos um modelo de segurança que proteja o povo trabalhador, baseado em direitos humanos, justiça social e valorização da vida.
A CUT reafirma seu compromisso histórico com a luta por Verdade, Memória, Justiça e Reparação — ontem e hoje. Seguiremos organizando a classe trabalhadora para enfrentar o autoritarismo, defender direitos e construir um Brasil soberano, democrático e justo.
Pela soberania dos povos. Pela democracia. Pela vida e pelos direitos da classe trabalhadora. Ditadura Nunca Mais!










