Diversidade em Pauta

CUT prepara 2ª Marcha LGBTQIA+ da Classe Trabalhadora em São Paulo

Ato da CUT no dia 5 de junho, em São Paulo, que antecede a Parada oficial LGBTQIA+de São Paulo, deve dobrar participação e terá o fim da escala 6x1 entre as principais bandeiras

Escrito por Redação CUT/CNTE| texto: André Accarini 19 de maio de 2026
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Autor da foto: Roberto Parizotti

A CUT realiza no próximo dia 5 de junho, em São Paulo, a 2ª Marcha Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras LGBTQIA+, iniciativa que busca consolidar um espaço permanente de mobilização política da classe trabalhadora no calendário do orgulho LGBTQIA+ do país. Com concentração marcada para as 14h, na Praça Roosevelt e caminhada até o Largo do Arouche, a expectativa da organização é dobrar o número de participantes da primeira edição, realizada em 2025, ampliando a visibilidade da população LGBTQIA+ trabalhadora e fortalecendo a luta por direitos, dignidade e inclusão no mundo do trabalho.

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Neste ano, a mobilização ganha um marco político importante. A marcha antecede a Parada LGBTQIA+ de São Paulo, considerada a maior do mundo. A realização da marcha tem reconhecimento da Associação da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de SP Paulo, que passa a apoiar institucionalmente a atividade.

A novidade é considerada estratégica pela organização por consolidar a sexta-feira anterior à Parada como um espaço permanente de expressão política da classe trabalhadora LGBTQIA+, reforçando a presença sindical em um dos maiores eventos de diversidade do planeta.

“Estamos criando uma identidade da CUT no período da Parada, que é a maior do mundo, tentando consolidar essa sexta-feira antes da Parada como sendo uma data da marcha da CUT”, afirma o secretário nacional de Políticas LGBTQIA+ da Central, Walmir Siqueira.

Mais do que um ato simbólico, a marcha nasceu da compreensão de que a luta contra a LGBTQIA+fobia também passa pela defesa de direitos trabalhistas e pela construção de um mercado de trabalho mais justo. A proposta da CUT é reafirmar que a diversidade sexual e de gênero não pode estar dissociada da luta de classes, especialmente diante da realidade de exclusão, informalidade, desemprego e violência que ainda marca a vida de grande parte da população LGBTQIA+, sobretudo pessoas trans e travestis.

A principal bandeira política da edição de 2026 será o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas, sem redução salarial. Segundo Walmir, a pauta tem impacto direto sobre a população LGBTQIA+, frequentemente concentrada em setores historicamente precarizados, como comércio e telemarketing, onde predominam baixos salários, jornadas extensas e pouca proteção trabalhista.

“A gente quer focar na campanha em favor do fim da jornada 6 por 1 e do trabalho decente para a população LGBTQIA+. Os trabalhadores e trabalhadoras LGBTQIA+ sempre estão nos subempregos ou nos empregos com jornadas maçantes. São os que trabalham mais e ganham menos”, afirma o dirigente.

Para a CUT, o enfrentamento à precarização do trabalho precisa caminhar junto ao combate à discriminação estrutural. Pesquisas recentes apontam que pessoas LGBTQIA+ ainda enfrentam barreiras no acesso ao trabalho formal, dificuldades de permanência nos empregos, assédio moral e limitações no crescimento profissional. No caso da população trans, a exclusão é ainda mais severa, empurrando milhares para a informalidade ou situações extremas de vulnerabilidade social.

 

 

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