Contra a violência de Trump a migrantes: CUT e entidades fazem ato no sábado (14)
Ato da Jornada Continental pelo Direito de Migrar acontece neste sábado (14), em SP. CUT participa da mobilização que denuncia políticas migratórias dos EUA e defende direitos humanos e soberania dos povos
Escrito por Redação CUT | texto: André Accarini 10 de março de 2026
As escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, na Praça Ramos de Azevedo, no centro da cidade, recebem neste sábado (14), às 15h, uma manifestação em defesa dos direitos dos migrantes. O ato integra a Jornada Continental pelo Direito a Migrar, pelos Direitos dos Migrantes e pela Soberania, que ocorre entre os dias 8 e 14 de março em diversos países das Américas.
Com o lema “Extinção do ICE! Migrar não é crime, é um direito!”, a mobilização reúne centrais sindicais, movimentos sociais, entidades de direitos humanos e organizações de migrantes que denunciam políticas migratórias consideradas violadoras de direitos fundamentais, especialmente nos Estados Unidos.

Para o secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores, Antônio Lisboa, a defesa do direito de migrar é parte essencial da luta pelos direitos humanos e pela democracia.
“A gente participa desse protesto não só por uma questão humanitária, mas também por uma questão ideológica. A extrema direita é um fenômeno global e o que acontece hoje nos Estados Unidos é a representação do que há de mais cruel contra o ser humano. É um atrocidade e representa um ataque à democracia, à soberania e aos direitos humanos”, afirma.
Segundo Lisboa, o debate sobre migração precisa ser compreendido a partir de um princípio fundamental – o direito humano de se deslocar.
“Migrar é um direito humano fundamental. Quando políticas de Estado passam a tratar migrantes como criminosos ou inimigos, o que está em jogo é algo muito maior do que uma política migratória: é o próprio respeito aos direitos humanos”, diz o dirigente.
Ele avalia que a ofensiva contra migrantes nos Estados Unidos expressa uma tendência mais ampla de fortalecimento de setores de extrema direita em diferentes partes do mundo.
O que acontece lá precisa preocupar todos os países. Quando você vê esse tipo de perseguição a migrantes, isso não é apenas um problema interno dos Estados Unidos. É um risco para a paz mundial e um sinal de avanço de forças autoritárias que também podem tentar se reproduzir em outros lugares
– Antonio Lisboa
Mobilização internacional
A Jornada Continental ocorre em meio a uma onda de mobilizações iniciadas nos Estados Unidos após ações da agência de imigração conhecida como U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE).
Segundo dados divulgados pelos organizadores da jornada, mais de 500 mil pessoas foram deportadas em 2025, incluindo cerca de 4 mil brasileiros. Também há registros de 157 crianças brasileiras detidas em território norte-americano.
A mobilização ganhou força após episódios de violência associados à atuação do órgão migratório. A morte dos cidadãos norte-americanos Rene Gold e Alex Prett, durante uma ação envolvendo agentes de imigração, provocou protestos em centenas de cidades dos Estados Unidos e ampliou as críticas à política migratória do governo de Donald Trump.
Esses crimes geraram uma onda de protestos e greves em mais de 300 cidades estadunidenses, envolvendo jovens, trabalhadores e suas organizações, que pediam “Fora ICE” e “Fim do ICE”.
De acordo com os organizadores da Jornada Continental, os protestos expressam uma reação à criminalização da migração e à militarização das políticas migratórias.
Articulação no Brasil
Em São Paulo, a manifestação é organizada pelo Comitê Paulista da Jornada Continental, uma coalizão que reúne organizações da sociedade civil, centrais sindicais, partidos políticos e entidades de defesa de direitos humanos.
Entre os apoiadores estão a CUT, o PT, o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), além de sindicatos e movimentos sociais.
A mobilização também conta com participação direta de organizações formadas por migrantes e entidades de apoio, como o Centro Pastoral de Apoio ao Migrante (Cami), a União Social de Imigrantes Haitianos, a Federação Bolivianos Unidos do Brasil e a União Africana Alkeebulan.
Para os organizadores, o direito de migrar está diretamente ligado à autodeterminação dos povos e às condições de vida que levam milhões de pessoas a deixar seus países de origem.
Debates e atividades no país
Além da manifestação em São Paulo, a Jornada Continental prevê atividades em diversas cidades brasileiras, incluindo audiências legislativas, debates em universidades e encontros com movimentos sociais em capitais e cidades nos seguintes estados: RS, SC, SP, MG, MT, BA, CE, AL, PR, RJ, PE e no DF.
Em âmbito internacional, manifestações estão previstas em vários países. Além dos EUA, em países caribenhos e na América do Sul, como no Peru, Venezuela, Colômbia e Equador
Estão previstas ações em cidades como Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza.
A articulação continental que deu origem à jornada começou em setembro de 2025, durante uma conferência realizada na Cidade do México, quando organizações sociais das Américas definiram a construção de uma mobilização internacional em defesa dos direitos dos migrantes.
Origem da Jornada
O evento que deu origem à mobilização foi definido durante uma conferência continental realizada na Cidade do México em setembro de 2025, que reuniu 127 delegados de países das Américas para discutir a defesa dos direitos dos migrantes e a soberania nacional.
O Brasil participou com 18 representantes, incluindo o deputado federal Rui Falcão, integrantes de movimentos sociais, sindicatos e representantes de brasileiros que vivem nos Estados Unidos. Entre eles estava Miriam Ribeiro Cabreira, presidenta do Sindipetro/RS, representando a Federação Única dos Petroleiros (FUP).
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Serviço
Evento: Manifestação da Jornada Continental pelo Direito de Migrar
Data: 14 de março de 2026 (sábado)
Horário: 15h
Local: Praça Ramos de Azevedo – Escadarias do Teatro Municipal, São Paulo (SP)










