VAZAMENTO DE GÁS

Casas afetadas por explosão em obra da Sabesp no Jaguaré serão demolidas

Defesa Civil condenou cinco imóveis após explosão causada por vazamento de gás durante obra da Sabesp

Escrito por : Raquel Freitas | TVT News 14 de maio de 2026
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Autor da foto: IPT/Instagram
As residências foram classificadas com interdição total após vistorias realizadas pela Defesa Civil e pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT)

Cinco casas atingidas pela explosão provocada durante uma obra da Sabesp no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, serão demolidas após serem condenadas pela Defesa Civil. O acidente aconteceu na tarde de segunda-feira (11), na Rua Floresto Bandecchi, na comunidade Nossa Senhora das Virtudes II, e deixou um morto, três feridos e dezenas de famílias desalojadas.

As residências foram classificadas com interdição total após vistorias realizadas pela Defesa Civil e pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que analisaram 105 imóveis da região. Segundo o balanço oficial, outras 14 a 19 casas permanecem interditadas de forma cautelar para reformas estruturais, enquanto cerca de 86 imóveis já foram liberados para o retorno dos moradores.

A explosão ocorreu depois que uma equipe da Sabesp, responsável por uma obra de remanejamento de tubulação de água, atingiu uma rede de gás da Comgás. O vazamento teria durado cerca de cinco horas antes da detonação, mesmo com a presença de equipes técnicas no local.

Moradores relatam medo após explosão

Além da destruição parcial de imóveis, moradores relatam danos em eletrodomésticos, telhados e estruturas das casas. Muitos ainda vivem em hotéis em Osasco enquanto aguardam definições sobre indenizações e moradia definitiva.

A vítima fatal foi identificada como Alex Sandro Fernandes Nunes, de 49 anos, que morreu após o desabamento de uma laje. Entre os feridos estão um funcionário da Sabesp e um pintor autônomo que sofreu múltiplas fraturas. Um dos atingidos segue internado em estado grave.

O clima na comunidade é de insegurança. Moradores afirmam temer novos desabamentos e criticam a demora na contenção do vazamento de gás. Alguns também resistem à possibilidade de deixar o bairro para viver em apartamentos da CDHU.

Reconstrução e auxílio financeiro

O governo estadual determinou que Sabesp e Comgás arquem com todos os custos decorrentes da tragédia, incluindo hospedagem, mudanças, reformas e reconstrução das casas destruídas.

As famílias afetadas começaram a receber um auxílio emergencial de R$ 5 mil por Pix para despesas imediatas. Segundo o governo, aproximadamente 232 famílias foram cadastradas para receber algum tipo de assistência.

Para quem perdeu a moradia, foram apresentadas três alternativas: transferência para apartamentos da CDHU, recebimento de carta de crédito habitacional para compra de outro imóvel ou reconstrução da residência no mesmo terreno após a demolição.

Obras da Sabesp suspensas

Após o acidente, o governo de São Paulo suspendeu preventivamente mais de 30 obras da Sabesp que envolvem escavações semelhantes, com o objetivo de revisar protocolos de segurança.

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) abriu uma fiscalização para apurar as causas da explosão e deu prazo até 15 de maio para que Sabesp e Comgás apresentem relatórios técnicos detalhados sobre o caso.

Na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), os deputados estaduais da oposição, Ediane Maria (PSOL), Carlos Giannazi (PSOL), Leci Brandão (PCdoB), Thainara Faria (PT) e Paulo Fiorilo (PT) protocolaram um pedido de CPI para investigar possíveis falhas das concessionárias e apurar se houve piora nos serviços após a privatização da Sabesp, concluída em 2024.

 

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