Brasil alcança o maior IDHM da história
Ao contrário do que disse Luciano Huck, de acordo com Pnud, Bolsa Família contribuiu para o desenvolvimento do país
Escrito por : Alexandre Barbosa | TVT News 26 de maio de 2026
O Brasil atingiu pela primeira vez a faixa de “muito alto desenvolvimento humano” no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), segundo dados divulgados pelo Radar IDH-M 2024, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
O levantamento mostra avanço nos indicadores de renda, educação e expectativa de vida, pilares usados para medir a qualidade de vida da população.
- O Brasil ingressou, pela primeira vez, na categoria de países com desenvolvimento humano “muito alto”.
- Em 2024, o país alcançou 0,805 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), em comparação a 0,744 em 2012.
- A escala para classificar o desenvolvimento humano varia de 0 a 1, sendo muito alto: acima de 0,800.
- Avanço no IDH-M foi impulsionado por políticas de educação, renda e inclusão social, como o Bolsa Família.
- População negra registrou crescimento em ritmo quase duas vezes maior que o da população branca nos últimos 13 anos
- A informação é do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil que divulgou, nesta terça-feira (26), a pesquisa Radar IDHM.
Políticas públicas, como Bolsa Família, ajudaram a subir o IDHM do Brasil
O Brasil chegou a 2024 com um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805 e ingressou, pela primeira vez na história, no grupo de países com muito alto desenvolvimento humano.
O avanço é resultado de políticas públicas voltadas à ampliação do acesso à educação, à saúde e à geração de renda. Os dados integram o Radar IDHM 2024, publicação elaborada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em parceria com a Fundação João Pinheiro (FJP) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Um resultado que não é coincidência, mas reflexo de escolhas políticas consistentes e coordenadas, com impacto direto nos indicadores de educação, longevidade e renda mapeados pelo IDHM”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu perfil no X.
“Sabemos que ainda temos um longo caminho pela frente, com desigualdades regionais, de gênero e de raça que precisam ser superadas. O resultado já alcançado mostra que estamos no caminho certo”, destacou.
Educação foi a área que mais evoluiu
O parâmetro que mais impulsionou o IDHM neste período foi a educação, ao passar de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024.
A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Barbosa, destacou, nesse contexto, a concessão do Bolsa Família.
“É o programa Bolsa Família que retira quantidade enorme de crianças do trabalho e dá a elas a condição da escola e a obrigatoriedade, também, de estar na escola. Então, aqui vejo diretamente o efeito de uma política pública brasileira.”
Betina Barbosa lembrou que o programa, criado em 2003, começa a produzir efeitos cerca de dez anos depois, justamente quando o primeiro grupo de beneficiários completa um período satisfatório de ensino, do fundamental e médio.
Famílias negras foram as que mais melhoraram
Segundo ela, a melhoria dos indicadores de educação nesse período é mais significativa entre famílias de renda mais baixa, em especial, as negras.
“É aqui que a população negra começa a apresentar melhores indicadores, melhor performance em educação. Então, a política pega um grupo que estava excluído e bota esse grupo para dentro do diálogo do desenvolvimento humano. Isso acontece a partir de 2016 de forma ascendente.”
A especialista ressalta que não existe alternativa para a melhoria do desenvolvimento brasileiro sem incluir a população negra na agenda de políticas públicas. O mesmo vale para as mulheres. “Esses são dois entraves sérios para o Brasil, a desigualdade de raça e a desigualdade de gênero.”
Saúde é a mais impacta no índice de desenvolvimento
A coordenadora explicou que, dos subíndices, a política pública de saúde é a que mais produz resultados positivos para o país, com performance de “muito alto desenvolvimento” já em 2012 (0,829), em razão da consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir da Constituição de 1988. Mesmo assim, é o que apresenta crescimento mais lento, chegando a 0,860 em 2024.
Já o parâmetro da renda cresce em baixa velocidade, de 0,732 em 2012, para 0,760 em 2024, no patamar de alto desenvolvimento.
Regiões metropolitanas apresentam melhor índice
De acordo com os dados do Pnud, as regiões metropolitanas são os locais onde os brasileiros vivem melhor e puxam o IDHM do país para cima.
Alguns estados, sobretudo das regiões Sul e Sudeste, já têm IDH altíssimo, mas a média do Brasil é acompanhada por regiões metropolitanas que antes eram consideradas regiões da periferia brasileira.
Como exemplo, Betina cita a Grande Teresina, no Piauí, com índices muito altos de desenvolvimento humano: 0,809.
“Esses territórios que antes puxavam a média Brasil para baixo, porque não acompanhavam o ritmo de crescimento, agora são unidades que ajudam o país a alcançar a média ‘muito alta’.”
Entre os nove estados da Região Nordeste, sete regiões metropolitanas já apresentam o IDH muito alto. “Isso é algo inédito nos trabalhos que nós realizamos no Pnud.”
Veja lista dessas regiões:
- Natal – 0822
- Aracaju – 0,809
- Grande Teresina – 0,809
- Recife – 0,806
- São Luís – 0,806
- Salvador – 0,803
- João Pessoa – 0,803

Durante o governo Bolsonaro, Brasil atingiu os piores índices de desenvolvimento. Gráfico | Longevidade, Educação e Renda, para o Brasil (2012-2024) / Pnud
Governo Bolsonaro teve o menor IDH-M, afirma Pnud
Para o Pnud, nos anos de 2020 a 2022, o país enfrentou uma crise sistêmica devido à pandemia de covid-19. Em 2021, o IDHM do país chegou a 0,757. A especialista pondera que o mais preocupante para o Brasil foi a negativa de que esse colapso iria produzir efeitos negativos sobre o desenvolvimento.
“Essa negação e esse não envolvimento rápido com a criação de políticas públicas que combatam crises sistêmicas, isso é muito grave”, explicou. “Ainda não nos recuperamos aqui, em termos de esperança de vida, do baque da covid-19”, acrescentou.
Nesse aspecto, a mortalidade infantil é o indicador que mais preocupa o Pnud e que está atrelado a políticas públicas que precisam de uma resposta rápida. “E não houve no país uma resposta suficientemente rápida no sentido dos impactos da covid-19.”
Os resultados do Radar IDHM foram calculados com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com a equipe técnica e pesquisadores da Fundação João Pinheiro.
O que é IDH-M?
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) é um indicador criado para medir a qualidade de vida da população nos municípios brasileiros. Ele adapta a metodologia do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), desenvolvido pela Organização das Nações Unidas (ONU), para a realidade das cidades e estados do Brasil.
O objetivo do indicador é ir além da análise econômica baseada apenas no Produto Interno Bruto (PIB). O IDH-M considera fatores sociais que ajudam a compreender como vive a população de determinada região.
O índice varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento humano.
Os três pilares analisados são:
- Educação;
- Longevidade;
- Renda.
O indicador passou a ser amplamente utilizado por pesquisadores, gestores públicos e movimentos sociais para avaliar desigualdades regionais e orientar políticas públicas.
Como é calculado o IDH-M?
O cálculo do IDH-M leva em consideração três dimensões principais.
Educação
Avalia indicadores como escolaridade da população adulta, frequência escolar de crianças e jovens e acesso à ensino.
Longevidade
Analisa a expectativa de vida da população, levando em conta condições de saúde, mortalidade infantil e acesso a serviços médicos.
Renda
Considera a renda média da população e a capacidade de acesso a bens e serviços básicos.
Cada dimensão recebe uma nota entre 0 e 1. Depois, os resultados são combinados em uma média geométrica que forma o índice final.
O modelo busca mostrar que desenvolvimento humano não depende apenas do crescimento econômico, mas também das condições sociais da população.
Qual o valor de IDHM mostra que o país é desenvolvido?
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento utiliza faixas para classificar o desenvolvimento humano:
- Muito baixo: até 0,499;
- Baixo: de 0,500 a 0,599;
- Médio: de 0,600 a 0,699;
- Alto: de 0,700 a 0,799;
- Muito alto: acima de 0,800.
Qual a diferença entre IDH e IDHM
O IDH é um indicador internacional usado para comparar países. Já o IDH-M adapta essa metodologia para medir o desenvolvimento humano dos municípios brasileiros.
Enquanto o IDH avalia nações, o IDH-M permite analisar desigualdades internas do país, identificando diferenças entre cidades, estados e regiões.
A metodologia é semelhante, mas o IDH-M utiliza bases estatísticas brasileiras mais detalhadas, permitindo uma leitura mais próxima da realidade local.
O indicador municipal também ajuda governos e pesquisadores a identificar áreas prioritárias para investimentos sociais e desenvolvimento regional.










