A Aneel determinou que a Enel apresente, em até cinco dias, um relatório detalhado com informações técnicas sobre o apagão, incluindo o número de equipes em campo, tempo médio de atendimento, ações emergenciais adotadas, avaliação da robustez da rede diante de eventos climáticos extremos e as razões pelas quais a resposta operacional voltou a falhar mesmo após alertas reiterados do órgão regulador. A exigência também inclui explicações sobre por que a concessionária não vinha adotando medidas preventivas suficientes, apesar do histórico recente de falhas.
O diretor-geral da Aneel, citado pela imprensa, afirmou que a agência “não tolerará reincidências” e que a população paulista enfrenta sucessivos episódios de interrupção prolongada de energia elétrica, o que configura possível descumprimento das normas de qualidade do serviço. Ele destacou que a Enel já havia sido alvo de advertências e processos administrativos depois do apagão de novembro, que também deixou milhões de clientes no escuro após outra tempestade severa.
Segundo relatos compilados pelos veículos de imprensa, o órgão regulador teme que a empresa tenha ampliado sua vulnerabilidade operacional, seja por falta de investimento, seja por falhas de gestão, e avalia adotar novas medidas punitivas. Entre as possibilidades estão multas adicionais, aumento do monitoramento e, em caso extremo e ainda distante, a abertura de um procedimento para caducidade do contrato.
A crise ocorre em meio a críticas de prefeitos, parlamentares e moradores que ficaram mais de 18 horas sem energia. As reclamações incluem dificuldades de comunicação com a concessionária, lentidão na recomposição e ausência de equipes em pontos críticos. Os episódios também têm reacendido o debate sobre o impacto das mudanças climáticas na frequência e intensidade de eventos extremos, que pressionam uma infraestrutura já considerada saturada por especialistas.
A Enel afirmou, em comunicados à imprensa, que mobilizou todas as equipes disponíveis e que acionou recursos extras para acelerar a recomposição do fornecimento, mas ainda não respondeu publicamente ao ofício da Aneel. A empresa justificou que a ventania derrubou centenas de árvores e provocou danos severos à rede, o que exigiu trabalho contínuo de reparo. Contudo, a resposta não tem sido suficiente para conter a insatisfação de órgãos públicos e consumidores, que argumentam que eventos climáticos intensos já são previsíveis e deveriam ser incorporados ao planejamento da concessionária.
A situação é agravada pelo fato de São Paulo enfrentar uma sequência de blecautes expressivos em um intervalo de poucas semanas. Para especialistas consultados por diversos veículos, a reincidência evidencia fragilidades estruturais na rede e necessidade de modernização urgente do sistema, incluindo substituição de postes antigos, enterramento de fiação em trechos estratégicos e ampliação de equipes de manutenção preventiva.
O governo estadual e a Prefeitura de São Paulo também solicitaram informações à Enel e pediram transparência sobre o cronograma de normalização do serviço. Autoridades municipais relataram que hospitais, semáforos e abastecimento de água foram afetados, criando um efeito cascata sobre a rotina da cidade.
Com a pressão crescente, a Aneel deve acompanhar de perto a resposta da concessionária ao ofício e avaliar medidas adicionais a partir do relatório que será apresentado na próxima semana. A crise da energia em São Paulo se tornou um dos principais focos de atenção do setor elétrico brasileiro e seguirá como tema central do debate público enquanto a população enfrenta os impactos diretos das falhas de fornecimento.










