Se eleito, Flávio Bolsonaro vai acabar com o Farmácia Popular
Plano de governo apresentado por Flávio Bolsonaro na área de saúde sequer cita o Farmácia Popular, que pode acabar com os cortes anunciados pela equipe econômica dele, de R$ 190 bilhões no orçamento da União
Escrito por Redação CUT | Editado por: Rosely Rocha 7 de outubro de 2026
O programa Farmácia Popular que entrega totalmente de graça 41 tipos de remédios para diversas doenças como diabetes, colesterol, doença de Parkinson, asma, além de produtos como fraldas geriátricas e absorventes higiênicos, acabará se o candidato do PL à presidência da República, Flávio Bolsonaro, for eleito no segundo turno em 25 de outubro.
A preocupação de Flávio Bolsonaro com o Farmácia Popular é zero. Em seu programa de governo com 76 páginas não há nenhuma menção ao Farmácia Popular; e isso associado ao anúncio de cortes da equipe econômica dele de 1,5% do PIB, o equivalente a R$ 190 bilhões, inviabilizará qualquer programa social e de saúde pública.
O alerta sobre o fim do Farmácia Popular é necessário porque o descaso com a saúde do povo brasileiro vem desde o governo do seu pai, Jair Bolsonaro. Naquela época, o remédio dapagliflozina, indicado para diabetes mellitus associada a doença cardiovascular, e fraldas geriátricas precisavam de uma contrapartida de pagamento de 10% do valor do produto. Quando esses dois itens passaram a ser 100% gratuitos em 2025, o governo Lula estimou que usuários que antes pagavam coparticipação economizariam, respectivamente, até R$ 270 e R$ 190 por mês.
A economia foi ainda maior quando os medicamentos para colesterol, Parkinson, glaucoma e rinite passaram a ser gratuitos; o governo Lula estimou que 3 milhões de usuários teriam uma economia de até R$ 400 por ano.
Outro dado relevante sobre a economia feita com a retirada de remédios gratuitos é, segundo o Ministério da Saúde, que uma família de quatro pessoas que utiliza diferentes medicamentos e insumos oferecidos pelo Farmácia Popular pode economizar até R$ 8,8 mil por ano, o equivalente a cerca de R$ 733 por mês.
Jair Bolsonaro tentou cortar 59% do orçamento do Farmácia Popular
O descaso da família Bolsonaro com a saúde da população não é nenhuma novidade. Em 2022, último ano do governo de Jair, ele propôs o corte de 59% do orçamento do programa para 2023, baixando a verba de R$ 2,48 bilhões para R$ 1 bilhão.
A medida não foi efetivada após pressão de parlamentares progressistas, entidades de saúde e a PEC da Transição que o Congresso Nacional aprovou e abriu espaço no orçamento de R$ 145 bilhões do teto de gastos para financiar programas e despesas sociais, entre eles o Farmácia Popular.
Apesar do corte não ter sido efetivado, ao longo dos governos de Michel Temer e de Bolsonaro (2016 a 2022), houve o descredenciamento de 4 mil farmácias, deixando cerca de 2 milhões de pessoas sem serem atendidas, segundo o Ministério da Saúde.
Somente após a retomada do Farmácia Popular pelo governo Lula, 22 milhões de brasileiros foram atendidos em 2023. Até 28 de setembro de 2026 o número de atendimentos subiu para 24,5 milhões de pessoas.
Proposta do programa de Lula
O governo Lula pretende ampliar o programa Farmácia Popular, incluindo exames, procedimentos e teleconsultas com profissionais como médicos, nutricionistas, psicólogos e enfermeiros.










