Campanha Salarial

CS 2026: CPFL Renováveis demora para propor reajuste e quer reestruturar plano de saúde com contrapartida “pífia”; Sindicato rejeita

Proposta foi apresentada pela empresa na sexta-feira passada (30) e nova rodada foi marcada para o próximo dia 16

Escrito por Nice Bulhões, com informações da Secretaria Geral do Sinergia CUT 6 de novembro de 2026
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Autor da foto: Bira Dantas

Na quarta rodada de negociação da Campanha Salarial (CS) 2026, que aconteceu no último dia 30, por videoconferência, a CPFL Renováveis formalizou a sua proposta econômica para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027, apresentou propostas de adequações de várias cláusulas do Acordo e detalhou o seu plano de reestruturação da assistência médica. A proposta foi rejeitada pelo Sinergia CUT e demais sindicatos, por considerá-la extremamente negativa, classificando tanto a postura da empresa quanto as contrapartidas apresentadas como desrespeitosas e insuficientes.

Proposta econômica

Na mesa, o Sinergia CUT repudiou a morosidade da empresa, destacando que a data-base da categoria é 1º de agosto, ou seja, as trabalhadoras e os trabalhadores já estão há mais de três meses sem reajuste devido à demora da CPFL Renováveis em apresentar os índices financeiros. Abaixo, confira os detalhes da proposta patronal.

Reajuste dos salários e benefícios expressos monetariamente no Acordo Coletivo de Trabalho 2025/2026 com o percentual de 4,44%, representando 100% do IPCA do período, a partir de 1º de agosto de 2026. 

Entram nessa regra de reajuste os seguintes itens:

  • Piso salarial;
  • Complemento de benefício previdenciário;
  • Auxílio-creche;
  • Auxílio-babá;
  • Vale-Refeição (VR): com o percentual de 4,44%, representando a reposição integral da inflação do período (100% IPCA), passando o atual valor de R$ 1249,05 para R$ 1.304,51. O crédito do referido montante se dará em cartão magnético individualizado, a ser realizado no dia 20 (vinte) do mês que antecede ao mês de referência do vale-refeição, exceto no mês de dezembro que o crédito será realizado até o dia 15 (quinze);
  • Atenção este item está relacionado à reestruturação do plano de saúde – A partir da implementação do novo modelo de AMH (Assistência Médica Hospitalar) – Vale-Alimentação (VA): Novo benefício de alimentação no valor de R$ 150,00, para trabalhadores(as) com salário-base de até R$ 14.056,34, com subvenção de 92% (noventa e dois por cento) desse valor por parte da empresa e 8% (oito por cento) a cargo do(a) trabalhador(a). O crédito do referido montante se dará em cartão magnético individualizado, a ser realizado no dia 20 (vinte) de cada mês, exceto no mês de dezembro que o crédito será realizado até o dia 15 (quinze);
  • Reajuste do Vale Natal (VN): percentual de 5,71% (cinco virgula setenta e um por cento), representando a reposição integral da inflação do período (100% IPCA) + 0,38% de aumento real, passando o atual valor de R$ 364,22 para R$ 385,00;
  • Reajuste na gratificação de férias: percentual de 28,54% (vinte e oito virgula cinquenta e quatro por cento), representando a reposição integral da inflação do período (100% IPCA) + 24,10% de aumento real, passando o atual valor de R$ 1.322,56 para R$ 1.700,00;
  • Manutenção do modelo de PLR 2025 para o ano de 2026: demais cargos (técnicos, assistentes, auxiliares, copeiras, recepcionistas etc.) – Potencial de Ganho 2026 – Máximo de 1,7x;
  • Vigência do Acordo Coletivo: vigência do Acordo Coletivo de data-base e PLR pelo período de 01 (um) ano, ou seja, 01 de agosto de 2026 até 31 de julho de 2027 e manutenção das demais cláusulas existentes nos Acordos Coletivos de Trabalho.

Proposta de reestruturação no plano de saúde

A CPFL propôs uma alteração estrutural no plano médico-hospitalar para trabalhadoras e trabalhadores, mantendo os diferenciais do plano Essência 500 (como acomodação em apartamento para 100% das vidas e reembolso de até 2 vezes a tabela Vivest), mas instituindo novos modelos de custeio a partir de janeiro de 2027:

✓ 30% COPAY: Pronto-socorro, consultas, terapias e exames simples. Não haverá cobrança para cirurgia, internação e exames complexos.

✓ 20% Contribuição Fixa: Aplicável apenas para os dependentes, correspondente ao valor de R$ 112,00 por dependente.

✓ Manutenção dos diferenciais do plano Essência 500: Acomodação em apartamento para 100% das vidas; e reembolso de até duas (2) vezes a tabela de valores Vivest.

Com essa adequação proposta pela CPFL do plano médico-hospitalar para todos(as) trabalhadores(as) a partir de janeiro de 2027, a cláusula do plano médico precisará ser adequada e será compartilhada posteriormente para avaliação da redação pelas entidades sindicais.

Em relação ao plano de saúde, avaliação da quantidade de trabalhadores(as) que serão impactados(as) positivamente pela proposta, bem como de eventual benefício relacionado ao Imposto de Renda (IR):

  • Segundo a empresa, a proposta com as adequações do plano médico atinge positivamente o quadro de trabalhadores(as) da CPFL Renováveis com as contrapartidas propostas.
  • Com relação ao IR, as despesas médicas terão reflexos no Imposto de Renda, inclusive referente aos valores dos dependentes, desde que sejam declarados perante a previdência privada ao titular do plano.

Apresentação do rol de exames que estarão contemplados:

 Os representantes da empresa apresentaram um rol exemplificativo dos exames que estão contemplados como simples, que terão coparticipação, bem como os complexos que não terão coparticipação:

  • Complexos: ressonância magnética, tomografia, endoscopia, holter, mamografia, cateterismo, internação, entre outros.
  • Simples: laboratoriais, raio-x, ultrassonografias, hemogramas, entre outros.

 Avaliação da inclusão de teto limitador para os descontos decorrentes da coparticipação e aplicação de contribuição para o titular para assegurar a extensão pós-emprego:

  • A proposta da empresa não contempla a contribuição do titular e não contempla teto limitador de coparticipação, em razão dos procedimentos complexos não terem qualquer participação para a realização.

 Proposta de adequação de cláusulas do ACT

Também nessa última reunião, a CPFL Renováveis trouxe diversas propostas de adequações no texto de várias cláusulas do ACT. Nas palavras da empresa, trata-se de meras adequações; porém, o Sinergia CUT não aceitará qualquer adequação de texto do Acordo que traga prejuízo às trabalhadoras e aos trabalhadores. O Sindicato reforça que tudo será feito com a orientação de seu Departamento Jurídico.

Posição do Sinergia

O Sindicato deixou claro na mesa de negociações que não concorda com a proposta de mudança no plano de saúde, reforçando que a iniciativa é de exclusividade da empresa. Aproveitou para destacar os seguintes pontos críticos em relação a este item:

  • Contrapartida “pífia”: A criação de um Vale-Alimentação (VA) no valor de R$ 150,00 foi classificada pela entidade sindical como “vergonhosa e incapaz” de compensar as perdas financeiras que a categoria sofrerá com o novo custeio e o pagamento de dependentes no plano de saúde.
  • Cheque em branco: O Sindicato alerta que a CPFL não detalhou a lista completa de quais procedimentos terão cobrança. De acordo com o Sindicato, aceitar os termos atuais seria “assinar um cheque em branco” para a empresa cobrar o que quiser futuramente.
  • Violação de regulamentos: O Regulamento do Plano de Saúde da CPFL Renováveis, aprovado pela Vivest e pela Agência Nacional de Saúde (ANS), determina que todo o custeio do plano é de responsabilidade da CPFL. O Sindicato informou que não aceitará retrocessos que contrariem o que foi chancelado pela ANS.
  • Alerta: Mesmo que qualquer acordo venha a ser deliberado e aprovado pelos trabalhadores no futuro, o Sindicato adverte que as mudanças no plano de saúde só poderão ser implementadas após a devida aprovação dos órgãos de governança da Vivest e da ANS.

Com relação às diversas alterações na redação de cláusulas do ACT proposta pela empresa, o Sindicato avisou que nenhuma mudança de texto que traga prejuízo às trabalhadoras e aos trabalhadores será aceita, e todas passarão pelo crivo do Departamento Jurídico.

Diante da falta de consenso, próxima rodada de negociação está agendada para acontecer no próximo dia 16, às 14h30, de forma virtual.

Pela vida e por mais renda. A luta é agora!

 

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