“Ele quer uma folha desonerada. Ele quer fazer o contrato, vou te pagar 1.700 reais e vou e no final do mês eu vou pagar só 1.700 reais. Esse é o primeiro impacto […] ele vai retirando formas de custeio da Previdência para daqui a pouco ele fazer uma declaração dizendo que a Previdência do Brasil é insustentável, porque o que ele pretende é transformar a aposentadoria numa renda complementar. Ele quer fazer uma nova reforma da Previdência”, avalia Pagotto.
Para Pontes, o real plano é fazer outras reformas. “Você vai ter em tese menos recolhimento previdenciário e fica insustentável, mas do meu ponto de vista, o que ele pretende fazer, é, concomitantemente a essas reformas trabalhistas e a própria reforma da Previdência. Então, fazer o trabalhador trabalhar por mais tempo e assim talvez tentar é fechar essa conta, mas não vai fechar […] essa lógica vai enfraquecer o financiamento da Previdência, vai dificultar a aposentadoria”.
Outro problema é como seria feito o cálculo da aposentadoria com os empregos sendo substituídos por contratos de renda menor ou descontínuo.
‘Sem empregos com com remuneração estável, eles estão sendo substituídos por contratos de renda menor ou descontínuo, essa base sobre a qual incidem as contribuições vai diminuir e o efeito total vai ser quase a quebra do INSS, não só do aposentado, mas questão de pensão, auxílio maternidade, acidente”.
Ataque aos sindicatos
No plano de governo, Flávio fala que o país precisa se posicionar contra a “República Sindical, em que os interesses de dirigentes das entidades se sobrepõem ao interesse dos trabalhadores”.
O advogado Carvalho avalia que o sindicalismo faz parte da sociedade civil brasileira e Flavio ataca esse setor.
“A palavra é atacar, ele ataca o sistema sindical. Ele não propõe uma mudança de regime. Ele propõe tirar de cena o sindicalismo que existe hoje no Brasil. Essa é a proposta que está colocada no programa de governo dele. Ele não usa a palavra reforma, ele diz que o Brasil precisa botar um fim. Isso que ele chama de República Sindical [..] ele chega a mencionar a existência de associações que segundo ele teriam mais representatividade que os sindicatos de alguns ramos do serviço público brasileiro. Ou seja, ele insinua claramente que vai poder negociar com esse pessoal, vai poder negociar com essas associações”.
No sistema atual os sindicatos são responsáveis pelas negociações coletivas, e negociam com os empresários, direitos válidos para cada categorias. Esses direitos vão além dos que já estão previstos na CLT como o piso salarial, o valor do vale-refeição, licença-maternidade estendida, entre outros.












