Seu voto na Câmara decide quem defende ou retira direitos da classe trabalhadora
Deputados votam leis, fiscalizam o governo e decidem o orçamento. Conheça o peso dessa escolha e saiba como conferir a atuação de quem pede seu voto
Escrito por Redação CUT | texto: André Accarini 1 de outubro de 2026
Neste ano, escolheremos os deputados e as deputadas que vão nos representar pelos próximos quatro anos. Por isso, é preciso olhar com atenção quem merece nosso voto. È importante saber também que parlamentares alinhados às propostas do governo beneficiam a população; quando tudo vira disputa para impedir avanços, quem paga a conta é a sociedade.
Dessa forma, na Câmara, decisões sobre jornada de trabalho, salários, aposentadorias e serviços públicos podem avançar, ser alteradas ou ficar paradas. A composição da Casa é que ajuda a definir quais interesses terão força nessas disputas. As últimas composições da Câmara tem sido formadas por maioria conservadora, portando, contrárias à maioria das pautas de interesse dos trabalhadores e trabalhadoras.
Lembre-se que prometer defender o povo é fácil. Para avaliar quem pede seu voto, vale conferir o que fez, como votou, quais propostas defendeu e quais interesses representou. Um vídeo com milhões de visualizações não responde a essas perguntas.
Confira antes de votar
A plataforma Quem é Quem no Congresso, desenvolvida pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), permite consultar e comparar a atuação de deputados federais e senadores.
A ferramenta reúne áreas sobre parlamentares, partidos, votações, bens declarados e critérios. Os filtros ajudam a pesquisar por estado, casa legislativa e partido. Nas fichas das matérias, é possível conhecer detalhes das propostas e verificar os votos registrados.
Uma consulta útil começa pelos temas que afetam sua vida: trabalho, renda, saúde, educação e desigualdades. Depois, compare as posições do parlamentar com suas promessas de campanha.
Vale consultar também a metodologia. A plataforma trabalha com uma seleção de votações, relacionada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Entender os critérios ajuda a interpretar os resultados e a dimensão do que está sendo comparado.
O que faz um deputado
A Câmara dos Deputados representa a população no Congresso Nacional. Seus integrantes têm mandato de quatro anos e atuam em conjunto com o Senado na elaboração das leis federais.
Esse trabalho interfere diretamente na vida de quem depende do salário, do transporte público, de uma escola ou de atendimento de saúde. Entre as principais responsabilidades estão:
- Criar e votar leis: apresentar propostas, analisar projetos e decidir sobre mudanças nas regras do país. Alterações na Constituição também dependem das duas Casas do Congresso.
- Fiscalizar o governo: acompanhar gastos e políticas públicas, pedir informações, convocar ministros e investigar possíveis irregularidades, com apoio de órgãos como o Tribunal de Contas da União.
- Decidir o orçamento: discutir e votar, com o Senado, a destinação dos recursos federais para saúde, educação, infraestrutura e outras áreas.
- Apresentar emendas: indicar a aplicação de recursos do orçamento em serviços, equipamentos e obras, conforme as regras orçamentárias.
As emendas usam dinheiro público. Não são doações pessoais do deputado. O eleitor pode cobrar a destinação, a transparência e o resultado desses recursos.
Lacração e curtidas não medem mandato
Discursos inflamados, provocações e confrontos rendem cortes de vídeo. Mas “lacrar” ou “mitar” não comprova compromisso com os direitos da população. O que precisa ser avaliado é a relação entre o discurso e a prática.
O parlamentar que promete defender trabalhadores vota de acordo com essa promessa? Participa das discussões? Apresenta propostas que respondem às necessidades da população? Negocia para fazê-las avançar? Fiscaliza gastos com seriedade?
Também é preciso cuidado com avaliações baseadas apenas na quantidade de projetos apresentados ou aprovados. Um mandato envolve relatorias, fiscalização, atuação em comissões e articulação política. Apresentar muitos projetos, sozinho, não demonstra qualidade; apresentar poucos não permite concluir que não houve trabalho.
Pedidos de informação e convocações de ministros são instrumentos legítimos de fiscalização. Para avaliar seu uso, vale observar o objetivo, a apuração realizada e o resultado. A repercussão de um confronto nas redes não substitui essa análise.
O critério é o que o mandato fez pela população e quais interesses defendeu nas decisões que afetam sua vida.
Disputas
O debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada sem redução salarial mostra por que a escolha para a Câmara importa. Ter mais tempo para descansar, cuidar da saúde e conviver com a família depende também de decisões tomadas no Legislativo.
Não basta que uma proposta seja apresentada. É preciso construir apoio, enfrentar resistências, aprovar o texto nas etapas exigidas e impedir alterações que esvaziem o direito reivindicado.
Uma aprovação em comissão não encerra esse caminho. As negociações seguintes podem preservar a proposta, reduzir seu alcance ou adiar sua votação. Para o eleitor, a pergunta é concreta: o parlamentar trabalhou para garantir o descanso ou para manter a jornada que a categoria quer mudar?
O mesmo vale para igualdade no trabalho. A aprovação na Câmara da Convenção 156 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sobre trabalhadores e trabalhadoras com responsabilidades familiares, é um exemplo de decisão voltada à igualdade de oportunidades. O envio ao Senado mostra que o resultado depende da atuação das duas Casas.
Quem faz avançar ou trava
Boa parte do trabalho acontece nas comissões, onde deputados analisam propostas, elaboram pareceres e realizam audiências públicas. Ali, um projeto pode ganhar apoio, sofrer mudanças ou perder força antes de chegar ao plenário.
A escolha de relatores, a apresentação de pareceres, os pedidos de adiamento e a definição da pauta influenciam o andamento das matérias. Deixar de pautar uma proposta também tem consequência: o direito reivindicado continua sem resposta.
Por isso, acompanhar somente a votação final é insuficiente. É importante observar quem defendeu a proposta nas comissões, tentou modificá-la, atuou para acelerar sua análise ou trabalhou para impedir seu avanço.
A presença de representantes comprometidos com os trabalhadores muda a capacidade de enfrentar interesses empresariais e disputar as prioridades da Câmara. A eleição define a força de cada posição dentro da Casa.
Cartilha ajuda na escolha
A cartilha “Eleições Gerais de 2026: Orientação a Eleitores e Candidatos”, publicada pelo DIAP, oferece orientações sobre cidadania, funcionamento das eleições e voto consciente.
A publicação recomenda avaliar a trajetória, os compromissos e as propostas das candidaturas, além de consultar fontes de transparência. Também aborda desinformação e a importância de acompanhar os representantes depois da eleição.
A cartilha inclui uma carta-compromisso com temas como defesa dos direitos trabalhistas, redução da jornada, revisão da reforma trabalhista, transparência dos mandatos e fortalecimento dos serviços públicos. Esses compromissos oferecem pontos concretos para cobrar de quem pretende representar a população.
Seu voto também fortalece o partido
A eleição para deputado federal é proporcional. Os votos dados aos candidatos e à legenda entram no cálculo das vagas conquistadas pelo partido ou pela federação. Depois, as cadeiras são preenchidas conforme a votação dos candidatos e as regras de distribuição.
Isso significa que o voto em uma pessoa também ajuda a definir a força do grupo político ao qual ela pertence. Por isso, conhecer o partido, suas posições e seus compromissos faz parte da escolha.
Ao votar, o eleitor participa da definição de quem terá poder para decidir sobre seus direitos durante quatro anos. Conferir a trajetória, os votos e o trabalho realizado é uma forma de fazer essa escolha com consciência — e de cobrar o mandato depois.










