CS 2026/2028 ISA Energia/Cteep: TRT marca audiência de mediação após impasse nas negociações
Sinergia CUT ingressou com pedido de pré-dissídio para preservar os direitos dos trabalhadores. Audiência está marcada para 7 de outubro, às 14h, em Campinas
Escrito por Débora Piloni, com informações da Secretaria Geral do Sinergia CUT 1 de outubro de 2026
O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região marcou audiência presencial de mediação e conciliação para o dia 7 de outubro de 2026, às 14h, envolvendo a ISA Energia Brasil. O encontro busca uma solução negociada para o impasse na Campanha Salarial 2026/2028.
A audiência foi marcada a pedido de sindicatos do Projeto Sinergia CUT que negociam com a ISA Energia, diante do impasse nas negociações.
A audiência reúne representantes dos trabalhadores e da empresa, com a participação da Justiça do Trabalho, para discutir propostas e contrapropostas, aproximar posições e buscar uma saída negociada para o impasse.
O papel do Tribunal, nessa etapa, é ajudar as partes a chegar a um entendimento. A audiência não significa que as reivindicações serão julgadas ou que o Tribunal determinará reajustes e condições de trabalho. Para haver um acordo, é preciso que os representantes dos trabalhadores e da empresa negociem e concordem com os termos.
Conforme a determinação do Tribunal, o encontro deve ser conduzido de forma simples, com confidencialidade e boa-fé. Os sindicatos e a empresa deverão participar por meio de seus representantes, que poderão estar acompanhados de advogados autorizados a negociar e firmar acordos.
Por que o Sinergia CUT recorreu ao pré-dissídio
O pedido de pré-dissídio ocorre após uma sequência de impasses na mesa de negociação. Durante a sexta rodada, a empresa apresentou uma proposta semelhante à que posteriormente divulgou aos trabalhadores. Todas as entidades sindicais rejeitaram essa proposta na mesa. Além disso, a ISA Energia não apresentou oficialmente uma proposta final para deliberação das entidades sindicais.
Na ocasião, a empresa informou que qualquer sindicato que desejasse aderir à proposta poderia fazê-lo posteriormente. Cerca de dez dias depois, divulgou que os sindicatos de São Paulo, Santos e dos Engenheiros haviam aceitado a proposta. Entretanto, até então, o Sindicato dos Engenheiros havia informado que não havia formalizado essa aceitação.
Diante desse cenário, o Sinergia CUT encaminhou correspondência à empresa solicitando o envio da proposta final. Como não recebeu resposta, ingressou com pedido de mediação no Tribunal para garantir a preservação dos direitos dos trabalhadores.
O Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) vigente tem validade até 31 de maio de 2027, e o sindicato ressalta que é fundamental assegurar sua correta aplicação.
Principais pontos defendidos pelo Sinergia CUT
A posição do Sinergia CUT reflete reivindicações recorrentes apresentadas pelos trabalhadores:
- O Sinergia CUT é contrário à implantação do teto salarial de R$ 17 mil, pois essa medida provoca, ao longo do tempo, distorções salariais, principalmente para os trabalhadores das categorias de engenheiros e administradores.
- O Sinergia CUT é contrário à ampliação do banco de horas de 10 para 20 horas mensais. Ainda que parte dessas horas seja destinada a treinamentos, a entidade entende que a capacitação dos empregados é responsabilidade da empresa e não deve ser compensada por meio do banco de horas.
- O cargo de Técnico de Confiabilidade não está previsto no ACT do Sinergia CUT. Apesar disso, a empresa vem implantando essa função na base da entidade, utilizando entendimento firmado com o Sindicato de São Paulo, que não possui validade automática para a base de representação do Sinergia CUT.
- O Sinergia CUT questiona a orientação para que trabalhadores promovidos ou transferidos de localidade assinem termos aditivos para cumprimento da escala de revezamento 6×3, situação que também não está prevista no ACT vigente.
- O Sinergia CUT reivindica o retorno do pagamento da refeição/almoço durante viagens a trabalho.
- O Sinergia CUT solicita que a empresa reavalie a possibilidade de inclusão de filhos maiores de 21 anos no plano de saúde administrado pela Vivest.
- O Sinergia CUT exige o cumprimento integral do ACT vigente.
- O Sinergia CUT reivindica o correto pagamento das horas de sobreaviso.
- O Sinergia CUT reivindica a inclusão, no ACT, de cláusulas de proteção social já praticadas pela empresa.
Avaliação da proposta da empresa
A proposta da empresa oferece um dia de folga no mês de aniversário, o chamado day off, equivalente a oito horas. Ao mesmo tempo, prevê ampliar o banco de horas para até 20 horas mensais.
Na avaliação do Sinergia CUT, essa ampliação representa um potencial acúmulo de 240 horas ao longo de um ano, com acréscimo de 50%, valor significativamente superior ao benefício concedido.
A empresa também ofereceu um crédito extraordinário de R$ 528 no vale-alimentação neste ano, próximo ao período de Natal. A reivindicação do sindicato, porém, é a criação de um 13º vale-refeição no valor de R$ 1.572, pago anualmente e incorporado de forma permanente aos benefícios dos trabalhadores.
Informação e organização
Para o Sinergia CUT, a estratégia da empresa foi aguardar a adesão de outros sindicatos à proposta para, posteriormente, isolar e pressionar a entidade.
Ao chegar a uma localidade para realizar uma assembleia informativa, o sindicato foi surpreendido com uma determinação na portaria que impedia sua entrada nas dependências da empresa. A assembleia foi realizada do lado de fora, no portão de entrada.
Essa será a prática adotada pelo Sinergia CUT daqui para a frente nas demais assembleias, garantindo que os trabalhadores recebam todas as informações sobre o andamento da campanha salarial.
O Sindicato lembra, ainda, que negociou a PLR e o pagamento de seu adiantamento fora do Acordo Coletivo, justamente para não ficar refém de adiantamentos de PLR.
O Sinergia CUT seguirá firme na defesa dos direitos da categoria e manterá os trabalhadores informados sobre os próximos desdobramentos da negociação.
Fique atento!
Pela vida e por mais renda. A luta é agora!










