ELEIÇÕES 2026

CUT lança “Plataforma para as Eleições 2026” com prioridades da classe trabalhadora

Documento é guia para eleitores avaliarem candidatos e canidatas que estejam comprometidos com os interesses da classe trabalhadora

Escrito por :: André Accarini | CUT Brasil 5 de agosto de 2026
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Autor da foto: Reprodução

Faltam cerca de dois meses para as eleições 2026, momento que define os rumos dos próximos anos para a sociedade brasileira, em especial, para a classe trabalhadora .A representação política influencia diretamente temas como emprego, salários, direitos trabalhistas e desenvolvimento. Por isso, conhecer as propostas defendidas pelas diferentes candidaturas é parte importante do processo eleitoral.

Por isso, a CUT lançou nesta quarta-feira (5), em plenária virtual com sindicalistas de todo o país, a Plataforma da CUT para as Eleições 2026, documento que reúne as principais propostas da entidade: as reivindicações consideradas prioritárias para a classe trabalhadora.

Mais do que consolidar as bandeiras históricas defendidas pela Central, a plataforma é uma referência durante o processo eleitoral. De um lado, oferece aos trabalhadores e trabalhadoras um conjunto de informações que pode ajudar na avaliação das propostas apresentadas pelas candidaturas. De outro, convida candidatos e candidatas aos cargos proporcionais e majoritários a assumirem compromisso público com pautas relacionadas ao emprego, aos direitos sociais, ao fortalecimento da democracia e ao desenvolvimento nacional.

Instrumento de debate

Na abertura da atividade, o presidente da CUT, Sérgio Nobre, destacou que discutir eleições faz parte da própria concepção sindical construída pela entidade desde sua fundação. “Nós somos movimento sindical. Lutamos por melhores salários, por condições de trabalho, mas essa luta, se for descolada da luta política, do país que a gente quer, é uma luta incompleta”, afirmou.

Segundo ele, a defesa de melhores condições de vida para os trabalhadores não termina nas negociações salariais. “Não adianta o trabalhador estar bem no local de trabalho e estar mal na sociedade onde ele vive. Portanto, temas como saúde, educação, emprego, democracia e soberania são fundamentais para a nossa central sindical”, disse.

A Plataforma da CUT para as Eleições 2026 foi construída a partir das resoluções aprovadas pela Central.  O documento organiza essas reivindicações em quatro grandes eixos e apresenta 16 pontos considerados prioritários para fortalecer o emprego, ampliar direitos, reduzir desigualdades e promover um projeto de desenvolvimento com distribuição de renda.

A proposta não é substituir os programas apresentados pelos partidos nem orientar o voto em candidaturas específicas, mas oferecer um parâmetro para que o eleitorado conheça quais propostas a CUT considera essenciais para a classe trabalhadora e possa identificar quais candidaturas demonstram compromisso com esses temas.

Ao mesmo tempo, a plataforma também funciona como um compromisso proposto aos próprios candidatos. A expectativa é que parlamentares e futuros governantes conheçam as reivindicações da CUT e assumam publicamente o compromisso de defendê-las durante seus mandatos.

A vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, explicou que a plataforma sintetiza debates acumulados pela Central ao longo dos últimos anos e reúne reivindicações consideradas inegociáveis para os trabalhadores.

“Esse é um documento que retoma as nossas reivindicações e afirma compromissos que são inegociáveis para a gente, fundamentais para a classe trabalhadora”, afirmou. Ainda de acordo com a dirigente, “democracia, soberania nacional e desenvolvimento econômico caminham juntos quando o objetivo é ampliar direitos”.

“Sem democracia não tem sindicatos fortes. A gente reafirma a importância da democracia e da soberania no cenário nacional e internacional”, destacou.

Plataforma: propostas construídas a partir da realidade do trabalho

Entre as prioridades apresentadas pela CUT estão temas que já fazem parte da agenda da entidade, como a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, a valorização do salário mínimo, o fortalecimento da negociação coletiva e dos sindicatos, a regulamentação do trabalho por aplicativos e a revisão de pontos das reformas trabalhista e previdenciária. Veja quais são:

Eixo I: Prioridades estratégicas

  • Nova regulação sindical: a CUT defende uma legislação que fortaleça a organização sindical, garanta a autorregulação das entidades, preserve a autonomia das assembleias, assegure o financiamento solidário e proteja o direito de greve.
  • Fim da escala 6×1 e redução da jornada: redução imediata da jornada para 40 horas semanais, com perspectiva de chegar a 36 horas, sem redução salarial.
  • Valorização do salário mínimo e das aposentadorias: continuidade da política de valorização real do salário mínimo e dos benefícios previdenciários, preservando também a vinculação do Benefício de Prestação Continuada (BPC) ao piso nacional.
  • Direitos para trabalhadores de aplicativos: regulamentação que assegure remuneração digna, proteção previdenciária, limite de jornada, direito de defesa e liberdade de organização sindical para trabalhadores das plataformas digitais.
  • Transição justa e requalificação profissional: políticas públicas voltadas à formação permanente dos trabalhadores diante dos impactos da inteligência artificial e da automação, garantindo proteção aos empregos durante as mudanças tecnológicas.
  • Tarifa Zero no transporte público: a proposta trata o transporte coletivo como um direito social, defendendo o passe livre como instrumento para ampliar o acesso ao trabalho, à educação, à saúde e ao lazer.

Eixo II: “Democracia e desenvolvimento”

  • Justiça tributária: atualização anual da tabela do Imposto de Renda e a tributação de grandes fortunas, lucros e dividendos.
  • Segurança cidadã e direitos humanos: políticas públicas baseadas em inteligência, prevenção e combate às diversas formas de violência, incluindo feminicídio, racismo e ataques à população LGBTQIA+ – garantir a vida e a dignidade das mulheres com o combate intransigente ao feminicídio e a todas as formas de violência de gênero, fortalecendo e amplaindo a rede pública de proteção, acolhimento e assistência integral às mulheres e seus dependentes, articulada à luta antirracista e a defesa das trabalhadoras dentro e fora do local de trabalho.
  • Meio ambiente e transição ecológica: a CUT propõe enfrentar a crise climática preservando florestas, águas e demais recursos naturais, garantindo que riquezas estratégicas contribuam para o desenvolvimento nacional.
  • Enfrentar a epidemia das apostas virtuais (bets) e proteger a renda e a saúde da classe trabalhadora: combate rigoroso à exploração financeira promovida pelas plataformas de jogos, a proibição da publicidade predatória, a criação de mecanismos de bloqueio do uso de crédito e benefício social em apostas.

Eixo III: “Direitos sociais e trabalhistas”

  • Revisão das reformas trabalhista e previdenciária: recuperação de direitos retirados pelas reformas e o fortalecimento das negociações coletivas.
  • Negociação coletiva no setor público: regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), assegurando negociação permanente, data-base e direito de greve para servidores públicos.
  • Fortalecimento do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT): preservar o programa como política de segurança alimentar, impedindo sua descaracterização.
  • Ratificação da Convenção 156 da OIT: políticas que permitam conciliar trabalho e responsabilidades familiares, com medidas como ampliação de creches e maior flexibilidade para trabalhadores responsáveis por crianças, idosos e pessoas com deficiência.
  • Cumprimento dos pisos salariais nacionais: cumprimento integral dos pisos nacionais da enfermagem e do magistério, independentemente do vínculo de contratação.
  • Ratificação da Convenção 193 da OIT e regulação do trabalho por plataformas: o avanço das tecnologias digitais não pode servir de pretexto para o desmonte de direitos e a precarização da vida trabalhadora. Assegurar um marco regulatório que combata a superexploração, garanta cobertura previdenciária, restrinja punições e bloqueios arbitrários via algoritmos e garanta o direito de livre organização e representação para a categoria.

Eixo IV: “Soberania nacional e relações internacionais”

  • Defesa da Soberania nacional, dos serviços públicos e das estatais e dos direitos da classe trabalhadora. Defender a soberania do Brasil, preservando o controle público sobre empresas estratégicas, riquezas naturais e inovações tecnológicas, fortalecendo os serviços públicos e destinando o patrimônio nacional à geração de empregos, à redução das desigualdades e ao bem comum
  • Reindustrialização nacional: utilizar o poder de compra do Estado e das empresas públicas para fortalecer a indústria brasileira, gerar empregos e ampliar o desenvolvimento tecnológico.
  • Defesa do multilateralismo e da paz: a CUT reafirma a importância da cooperação internacional, do fortalecimento de espaços como Mercosul e Brics e da defesa da autodeterminação dos povos. 

Debate para além das eleições

Ao apresentar a plataforma ao Portal CUT, Juvandia explicou que o documento foi pensado para permanecer como instrumento de diálogo mesmo depois da campanha eleitoral. “Essa plataforma é para ser utilizada no debate nos estados, para ser complementada com os debates estaduais, para conversar com os candidatos, ter o compromisso desses candidatos”, afirmou.

Na avaliação da dirigente, ampliar a representação de parlamentares comprometidos com essas propostas pode facilitar o avanço de projetos defendidos historicamente pelo movimento sindical.

“E são esses candidatos que têm este compromisso para que a gente possa ter um Congresso Nacional que de verdade represente os interesses da classe trabalhadora e não que a gente fique tendo que fazer muita luta para aprovar, por exemplo, a redução da jornada e o fim da escala 6 por 1.”

Rede CUT

Durante a plenária, o secretário-geral da CUT, Renato Zulatto, afirmou que a plataforma será encaminhada às CUTs estaduais, aos ramos, aos sindicatos e às candidaturas do campo sindical. “A plataforma é o instrumento da CUT até para ajudar na narrativa dos nossos candidatos, da nossa militância”, afirmou.

Renato ressaltou que o documento reúne posições históricas da entidade e deve orientar o diálogo com trabalhadores durante todo o processo eleitoral. “A vida da CUT não se dissocia da vida da política brasileira”, observou.

Pontos de vista

Durante a atividade, o economista Sérgio Gabrielli afirmou que as propostas apresentadas pela CUT dialogam diretamente com os desafios do país. “Essa pauta que vocês apresentaram tem enormes identidades com o que nós estamos apresentando para a sociedade brasileira, incluindo os trabalhadores”, disse.

Para Gabrielli, as conquistas sociais sempre estiveram ligadas à organização dos trabalhadores. “Os trabalhadores sabem muito claramente que todas as conquistas que tiveram na vida são resultado da luta dos trabalhadores.”

O ex-ministro chefe da Secretaria-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, também destacou a iniciativa da CUT de apresentar uma plataforma construída a partir das reivindicações da classe trabalhadora e afirmou que o documento contribui para o debate sobre os rumos do país. Para ele, a eleição vai além da escolha de representantes e envolve a definição de um projeto para o Brasil.

“Esse é um momento muito especial das nossas vidas, porque nós não vamos apenas discutir a eleição de um presidente. Nós vamos escolher um caminho para os destinos do nosso país”, afirmou. Ao cumprimentar a Central pelo lançamento do documento, Gilberto acrescentou: “Quero cumprimentar mais uma vez vocês pela iniciativa da plataforma”, destacando a importância de fortalecer a organização dos trabalhadores e o debate sobre um projeto de desenvolvimento para o país.

Compromisso para além da campanha

A expectativa da CUT é que a plataforma permaneça como referência mesmo depois das eleições. Além de orientar o debate durante o período eleitoral, o documento deverá servir como instrumento de diálogo entre a Central, parlamentares e futuros governantes, permitindo acompanhar quais compromissos foram assumidos e cobrar sua implementação ao longo dos mandatos.

Representação sindical no Parlamento

Durante a plenária, o secretário de Administração e Finanças da CUT, Ariovaldo de Camargo, apresentou um levantamento preliminar sobre as candidaturas do campo sindical nas eleições deste ano.

Segundo ele, foram identificadas 157 candidaturas ligadas ao movimento sindical informadas pelas CUTs estaduais. Desse total, 108 disputam vagas nas assembleias legislativas, 47 concorrem à Câmara dos Deputados e uma é candidata à suplência do Senado.

Ariovaldo destacou que o objetivo do levantamento é “acompanhar a presença de dirigentes sindicais nas disputas eleitorais”.

 

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