Meio Ambiente

Justiça climática: relatório aponta caminhos para proteger trabalhadores

CUT-SP e Sindsep-SP divulgam relatório com propostas para negociações coletivas diante dos impactos das mudanças climáticas

Escrito por Rafael Silva - CUT São Paulo, com apoio de Marco Dalama, assessor da Secretaria de Meio Ambiente na CUT-SP 25 de junho de 2026
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Autor da foto: Rafael Silva/CUT-SP

As mudanças climáticas já impactam diretamente a vida e o trabalho da classe trabalhadora. Para enfrentar essa realidade, a CUT-SP e o Sindsep-SP divulgam o Relatório de Trabalho em Grupo para Elaboração de Pautas Socioambientais em Negociações, Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho, resultado dos debates realizados durante o “Seminário Pós-COP30 e a Situação dos Trabalhadores”, no último dia 12 de junho.

Clique aqui para baixar o relatório

O seminário reuniu lideranças sindicais, especialistas e representantes políticos para discutir os desafios colocados pela crise climática e a necessidade de garantir que a transição ecológica aconteça com geração de empregos, proteção social e participação dos trabalhadores. Dentre os convidados, estiveram Marina Silva, deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, Sônia Guajajara, deputada federal e ex-ministra dos Povos Indígenas, Márcio Astrini, do Observatório do Clima, e Renata Belzunces, técnica do DIEESE.

Entre os destaques da programação estiveram os debates sobre justiça climática, soberania nacional, racismo ambiental e os impactos das mudanças climáticas sobre diferentes categorias profissionais.

Na parte da tarde, trabalhadores e trabalhadoras de diversos ramos se dividiram em grupos para construir propostas concretas que possam ser incorporadas às campanhas salariais, acordos e convenções coletivas. O resultado foi um conjunto de reivindicações que aponta caminhos para proteger a saúde, os direitos e os empregos diante do agravamento das emergências climáticas.

Entre as propostas estão a criação de cláusulas de proteção para trabalhadores atingidos por enchentes, secas e outros eventos extremos; garantia de licença remunerada e estabilidade em situações de desastre; medidas de combate ao estresse térmico nos locais de trabalho; fornecimento de equipamentos de proteção adequados às novas condições climáticas; direito de recusa em atividades que coloquem em risco a integridade dos trabalhadores; e participação sindical na elaboração de planos de contingência.

O documento também apresenta propostas voltadas à transição energética e ecológica, defendendo garantia de emprego, renda e qualificação profissional para trabalhadores afetados pelas transformações produtivas, além da criação de fundos de proteção social financiados por empresas e poder público. A preocupação central é impedir que a conta da crise climática seja jogada nas costas da classe trabalhadora.

Ao final, o relatório consolida uma visão de transição justa baseada em cinco pilares: proteção imediata diante de eventos climáticos extremos, saúde e segurança do trabalho adaptadas à emergência climática, participação dos trabalhadores nas decisões, garantia de emprego e renda e responsabilização das empresas e do Estado pelos custos da adaptação climática.

“O Seminário foi um encontro importante onde pudemos ouvir e dialogar com especialistas e lideranças ambientais acerca da insuficiência dos acordos realizados no âmbito da COP30, e o papel do Brasil, das políticas públicas e dos trabalhadores para manter o planeta na meta de aquecimento de até 1,5ºC acima da temperatura média do período pré-industrial”, afirma a secretária de Meio Ambiente da CUT-SP, Solange Ribeiro. “Para além desses importantes debates, temos que destacar o trabalho em grupo na parte da tarde, em que os participantes refletiram sobre seus direitos em uma transição ecológica justa, bem como elaboraram propostas de cláusulas socioambientais em negociações, acordos e convenções coletivas de trabalho de suas respectivas categorias e ramos”, continuou a dirigente.

A expectativa é que as produções, ideias e propostas elaboradas pelos grupos fortaleçam as negociações coletivas e contribuam para a construção de um país socialmente mais justo, ambientalmente mais responsável, economicamente mais viável e culturalmente mais inclusivo.

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