Dieese: Redução da jornada pode favorecer condições para jovens conciliarem trabalho e estudo
A redução da jornada de trabalho é uma das pautas históricas da classe trabalhadora
Escrito por Dieese 27 de maio de 2026
- A jornada de trabalho média dos vínculos celetistas era de 41 horas e 32 minutos semanais em 2024.
- 75% dos celetistas tinham jornadas superiores a 40 horas semanais.
- Nas áreas ligadas à agropecuária, à construção e ao comércio, mais de 90% dos vínculos tinham jornadas superiores a 40 horas semanais.
- A remuneração média de quem trabalhava 40 horas por semana era 117% maior do que a dos vínculos com jornadas entre 41 e 44 horas.
- As jornadas acima das 40 horas semanais são menos comuns entre trabalhadores com ensino superior completo.
- Longas jornadas dificultam a formação e qualificação dos trabalhadores. A redução do tempo de trabalho tem potencial para contribuir para o aumento do número de pessoas estudando. Segundo estimativas, a medida poderia ajudar a aumentar em até 425 mil o número de jovens com idade entre 18 e 29 anos que conciliam emprego formal com estudos.
A redução da jornada de trabalho é uma das pautas históricas da classe trabalhadora. No Brasil, um marco importante no avanço dessa luta foi a Constituição de 1988, que reduziu a jornada máxima de 48 para 44 horas semanais e, comprovadamente, não causou prejuízos para a economia. Mais recentemente, a discussão voltou à agenda pública, com a mobilização em torno do fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para apenas um dia de descanso) e por propostas de mudança na legislação.
Entre essas propostas, destaca-se o projeto de lei nº 1838/2026, que propõe redução da jornada semanal para 40 horas, mantendo o limite de 8 horas diárias. A proposta também estabelece o direito a dois dias de descanso por semana, preferencialmente aos sábados e domingos, sem redução de salários ou dos pisos vigentes.
O debate sobre o tempo de trabalho envolve três dimensões: a extensão da jornada, que diz respeito ao total de horas trabalhadas na semana; a intensidade, que está relacionada ao ritmo e à pressão sobre o trabalho no dia a dia; e a distribuição da jornada, que é a forma como essas horas são organizadas ao longo dos dias, como ocorre, por exemplo, na escala 6×1. Na prática, parcela significativa dos trabalhadores contratados em jornadas acima de 40 horas semanais trabalha mais dias na semana. Isso ocorre porque a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece o limite de oito horas diárias de trabalho, o que, combinado com jornadas de 44 horas semanais, tende a resultar em seis dias de trabalho. Estimativas do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam que cerca de um terço (33,2%) dos vínculos formais contratados em regime de 44 horas semanais está sob a escala 6×1, o que representa cerca de 15 milhões de trabalhadores.
Este boletim utiliza dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2024, do Ministério do Trabalho e Emprego, e da Pnad Contínua-IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para estimar o número de celetistas que trabalham acima de 40h semanais. A partir daí, busca responder a uma das dimensões do debate sobre a produtividade da economia brasileira: jornadas longas limitam as possibilidades de qualificação dos trabalhadores?










