Sinergia CUT lança oficialmente Campanha Salarial 2026 em Reunião de Direção Colegiada
No evento, realizado em Rio Claro, no último dia 15, também foram lançados um protocolo de combate ao assédio, uma carta compromisso dos energéticos paulistas para as eleições 2026 e uma premiação em comemoração aos 30 anos do Sinergia CUT
Escrito por Nice Bulhões 18 de maio de 2026
O Sinergia CUT e o Sinergia Campinas realizaram, na última sexta-feira (15), uma Reunião de Direção Colegiada com dirigentes sindicais de várias regiões do estado de São Paulo. O encontro, que aconteceu na Macro Rio Claro, teve como objetivo fortalecer a organização de eletricitárias, eletricitários e gasistas, promover o debate coletivo e alinhar estratégias de luta em defesa dos energéticos.

O evento marcou o lançamento oficial da Campanha Salarial (CS) 2026, de um protocolo próprio de prevenção e ação contra a discriminação e o assédio, de uma carta compromisso dos energéticos em relação às eleições gerais deste ano e de uma premiação pelos 30 anos do Sinergia CUT, que serão comemorados em novembro de 2027.
O mote da campanha, “Pela Vida e por mais renda. A luta é agora!”, havia sido definido durante a Oficina da CS 2026, realizada também na Macro Rio Claro, nos dias 6 e 7 de março. A Direção do Sinergia CUT — composta por representantes do Sinergia Campinas, Sinergia Gasista, Sinergia Presidente Prudente, Sinergia Sindergel, Sinergia Araraquara, Sinergia Mococa, Sinergia São José do Rio Preto e Sinergia Bauru — optou por oficializar o lançamento oficial da campanha em maio, embora as negociações com às empresas do setor energético já estivessem em curso desde o início do ano.

Carlos Alberto Alves (blusa azul) e Claudinei Ceccato (camisa preta)
Segundo o Sindicato, a decisão de validar as estratégias na reunião Colegiada, visando o lançamento oficial da CS 2026, levou em conta o cenário internacional de alta tensão geopolítica, como os conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, além das barreiras tarifárias unilaterais adotadas pelos Estados Unidos. De acordo com os dirigentes, esses fatores globais impactam diretamente a economia brasileira e, consequentemente, a Pauta das Trabalhadoras e dos Trabalhadores.
Os presidentes do Sinergia CUT, Carlos Alberto Alves, e do Sinergia Campinas, Claudinei Ceccato, fizeram a abertura do evento, que enalteceu o legado dos dirigentes que construíram essa unidade na luta e fez homenagem póstuma ao fotógrafo da entidade, Roberto Claro, que faleceu em 21 de abril deste ano.
“A gente continua a luta se estivermos juntos”, disse Carlos Alberto. Ceccato lembrou a abrangência da entidade: “O projeto Sinergia representa as trabalhadoras e os trabalhadores de 468 municípios de São Paulo, Sul de Minas Gerais e parte do Mato Grosso do Sul que atuam em cerca de 70 empresas de energia elétrica e de gás natural com as quais negociamos.”
Fizeram participações pontuais no encontro o presidente do PT Campinas, Pedro Tourinho e a deputada estadual Márcia Lia (PT). O deputado federal Alencar Santana (PT) enviou mensagem.
Assembleia híbrida do Sinergia Campinas

Conforme deliberação tomada na Oficina da CS 2026, o Sinergia Campinas encaminhou para a assembleia híbrida (presencial e online) a mudança na sistemática de publicação de editais em jornais de grande circulação e na deliberação da taxa negocial/contribuição assistencial nas campanhas salariais, visando a redução do custeio das atividades sindicais. A assembleia foi conduzida pelo dirigente Marcelo Renato Fiorio.
Com aprovação unânime, agora passa a ser publicado um único edital em jornal de grande circulação no começo do ano, convocando uma única Assembleia, em formato híbrido – presencial e por videoconferência – onde haverá a Ordem do Dia e as deliberações necessárias para as campanhas salariais do ano todo, com a aprovação de uma pré-pauta anual. Nesta assembleia também será deliberado a existência da taxa negocial/contribuição assistencial e o seu valor, que será o mesmo percentual da conquista da negociação em uma única parcela, com direito à oposição ao desconto.
Vale ressaltar que o Sinergia Campinas continuará a realizar assembleias nos locais de trabalho nas proximidades das datas-bases das empresas, colhendo mais contribuições às pautas de reivindicações da pré-pauta anual, a ser aprovada no começo do ano. A divulgação destas futuras convocações e/ou consultas sobre a campanha salarial serão feitas oficialmente através do site www.sinergiacut.org.br, dispensando a publicação em jornal. Essa nova sistemática já passa a valer para as campanhas salariais das datas-bases de junho a novembro.
Protocolo: marco histórico

As dirigentes Rosana Gazzolla (com lenço rosa queimado) e Cibele Granito Santana no início do lançamento do protocolo
Por meio do Coletivo de Mulheres “Marielle Franco”, o Sinergia CUT adaptou o “Protocolo de Prevenção e Ação em Casos de Discriminação, Assédio e Violência por Razões de Gênero” da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Com a iniciativa, a entidade tornou-se o primeiro sindicato cutista a lançar um documento normativo próprio sobre o tema.
As regras de conduta aplicam-se a todas as pessoas que trabalham no Sinergia CUT ou que participam de eventos promovidos pela instituição, incluindo dirigentes, assessores, prestadores de serviço e convidados.
“O Sinergia CUT está comprometido a enfrentar a discriminação, assédio e violência por razões de gênero, para isso, empregará esforços para apurar e resolver as denúncias de forma célere, imparcial e tão confidencial quanto possível, observando os princípios de contenção, escuta ativa, não revitimização, acessibilidade e perspectiva de gênero”, garantiu a coordenadora do Coletivo de Mulheres da entidade, Rosana Gazzolla.
A secretária-geral do Sindicato, Cibele Granito Santana, responsável por apresentar o documento na Colegiada, ressaltou a abrangência da medida: “O protocolo tem o intuito de promover o enfrentamento de todas as formas de discriminação, assédio, racismo, etarismo, homofobia, capacitismo e violência”.
Canais de denúncia
Em casos de violações de gênero, a vítima deve relatar o fato ao Coletivo de Mulheres pelo e-mail mulhersinergiacut@gmail.com. Se a denúncia envolver uma integrante do próprio coletivo, o caso deve ser encaminhado diretamente à Secretaria-Geral.
Após avaliação preliminar, o grupo poderá instaurar a Comissão de Combate ao Assédio, Discriminação e Violência por Razões de Gênero para apurar o caso. Ela será composta por dois a cinco dirigentes, incluindo representantes da Secretaria-Geral, do Coletivo de Mulheres e dos dirigentes Tayon Fernando Moura Braatz Santos Rodrigues (combate à homofobia) e Adão Luiz Carlos (combate ao racismo).
Carta compromisso
Durante a Colegiada, o Sinergia CUT também lançou a “Carta Compromisso dos Energéticos Paulistas com as Eleições 2026”. O documento reitera as reivindicações históricas dos trabalhadores do setor energético. O texto defende que o voto das classes populares seja direcionado a candidatos e partidos programaticamente comprometidos com a agenda e os direitos da classe trabalhadora.
“Nós, energéticos paulistas, sempre nos posicionamos coerente e firmemente com nossos princípios classistas e nesse momento também não nos furtamos. Defendemos a energia para servir ao desenvolvimento do país e não apenas ao lucro do mercado financeiro, com empresas públicas fortes, planejamento estatal e controle estratégico do sistema para garantir segurança energética (energia elétrica e gás natural), tarifas justas e investimento social.
Sabemos que a disputa eleitoral de 2026 é decisiva para o futuro do Brasil. Assumimos o compromisso de lutar, nas eleições de 2026, por um projeto nacional de desenvolvimento sustentável, com soberania energética, valorização do trabalho, justiça social e transição energética justa, onde a energia estará a serviço do povo brasileiro, da redução das desigualdades e da construção de um país mais democrático, inclusivo e sustentável.
Por isso, em consonância com a resolução de nossa Confederação Nacional dos Urbanitários, assumimos também o compromisso de aprofundar a discussão dos rumos do Brasil, tendo como referência o saneamento, meio ambiente, energia e gás como serviços essenciais para o desenvolvimento. E fomentar o debate em nossas bases, reafirmando o caráter estratégico da energia e gás na garantia da independência, segurança hídrica e energética no desenvolvimento nacional e paulista, com a participação e o controle e social nas decisões sobre a política nacional, que possibilite um combate efetivo à pobreza energética e viabilização do acesso à energia para exercício pleno da cidadania.” – Trecho da carta.
Premiação
Para celebrar os seus 30 anos de fundação em 16 de novembro de 2027, o Sinergia CUT vem elaborando a 2ª edição do “Prêmio Resistência e Ousadia”. A primeira edição aconteceu na celebração de 20 anos da entidade. O principal objetivo do prêmio é homenagear a construção unitária dos energéticos paulistas, por meio de dirigentes, militantes e trabalhadores/as da base, comprometidos com os princípios de liberdade e democracia, e para manter viva a memória e destacar episódios da história da construção desse projeto. Mais informações serão divulgadas posteriormente.
Pela Vida e por mais renda. A luta é agora!










