RACISMO ESTRUTURAL

13 de Maio: 138 anos depois, a abolição segue inacabada no Brasil

População negra enfrenta racismo estrutural com salários baixos, emprego precário e violações de direitos

Escrito por : Laiza Lopes - CUT São Paulo 13 de maio de 2026
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Autor da foto: Bruno Peres / Agência Brasi

Neste 13 de maio de 2026, o Brasil completa 138 anos da assinatura da Lei Áurea, marco formal do fim da escravidão no país. Mas, para a população negra brasileira, a chamada “abolição” nunca significou liberdade plena, acesso à terra, trabalho digno, educação ou reparação histórica.

“O fim jurídico da escravidão não foi acompanhado de políticas de inclusão social, e os efeitos dessa dívida histórica seguem presentes até hoje nas periferias, nos locais de trabalho e nas estatísticas da desigualdade”, pontua Rosana Silva, secretária de Combate ao Racismo da CUT-SP.

O Brasil foi o último país da América Latina a abolir oficialmente a escravidão. Milhões de pessoas negras foram libertadas sem qualquer garantia de sobrevivência, enquanto as elites econômicas mantiveram privilégios e aprofundaram um modelo de exclusão racial que atravessa gerações. Apesar de ser 56% da população brasileira, pretos e pretas seguem sofrendo o racismo estrutural, que continua organizando as relações sociais, econômicas e políticas do país.

As mulheres negras enfrentam uma realidade ainda mais dura. Além da desigualdade racial, sofrem os efeitos do machismo e estão concentradas nos empregos mais precarizados e mal remunerados. Mulheres negras recebem, em média, R$2200, enquanto homens brancos têm rendimento médio de R$4800, segundo levantamento do DIEESE com base nos dados do 2º trimestre de 2025 da Pnad Contínua, do IBGE.

Elas também são maioria entre as vítimas de feminicídio em todo o Brasil. Uma análise dos 5.729 registros oficiais desse tipo de crime, ocorridos de 2021 a 2024, mostrou que 62,6% das vítimas eram negras.

“São as mulheres negras, muitas vezes, as responsáveis pelo sustento das famílias e também as maiores vítimas da ausência de políticas públicas, da violência e da sobrecarga do trabalho doméstico e de cuidados”, afirma Rosana Silva.

A desigualdade racial também aparece no acesso à moradia digna, educação, saúde e segurança. A população negra é maioria entre os mais pobres, entre os moradores das periferias e também entre as vítimas da violência policial e do encarceramento em massa. Enquanto isso, os espaços de poder seguem sendo ocupados majoritariamente por pessoas brancas. Na Câmara dos Deputados, negros ocupam somente 26% das cadeiras.

“Apesar de todas essas disparidades, a resistência do povo negro sempre foi parte central da luta da classe trabalhadora brasileira. Dos quilombos às greves, das organizações populares aos sindicatos, a população negra construiu e segue construindo caminhos de enfrentamento ao racismo, à exploração e às desigualdades”, analisa Rosana.

Para a dirigente, o 13 de maio não pode ser tratado como uma data de celebração. “É um momento de reflexão, denúncia e reafirmação da luta por reparação histórica, igualdade de direitos e justiça social”, finaliza Rosana.

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