FOME

Sem Bolsa Família, número de famílias em risco de insegurança alimentar grave seria o dobro

Estudo da Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS reforça importância do monitoramento para orientar, avaliar e controlar efetividade das políticas públicas

Escrito por : Redação TVT | Via MDS 7 de maio de 2026
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Autor da foto: Lyon Santos/MDS
Em 2022, a fome atingia cerca de 15% dos domicílios do país. Em 2024, chegou a 3,2%

O número de famílias em risco de insegurança alimentar e nutricional seria o dobro caso não existisse o Bolsa Família. É o que mostra o Indicador de Risco de Insegurança Alimentar Grave Municipal (CadInsan). Sem o programa, o número de famílias do Cadastro Único em risco de insegurança alimentar e nutricional teria passado de 2,3 para 4,7 milhões, considerando dados de janeiro de 2025.

O CadInsan é desenvolvido pela Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (SECF) do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Ele permite simular cenários e medir o impacto das políticas públicas. Para se chegar no indicador, é feito o cruzamento de dados socioeconômicos do Cadastro Único.

A partir das informações sociais e econômicas das famílias, são feitas análises estatísticas daquelas em insegurança alimentar grave apontadas pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia) nas pesquisas domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados foram apresentados nesta terça-feira (5.05) pelo diretor de Vigilância do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) do MDS, Alexandre Valadares, durante a 3ª Reunião Plenária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).

Durante o encontro, Valadares lembrou que a reconstrução do sistema de monitoramento da insegurança alimentar e nutricional foi uma das primeiras medidas adotadas pelo Governo do Brasil para avançar no combate à fome no país.“Qualquer estratégia de enfrentamento da fome precisa partir do conhecimento da realidade, e isso se dá por meio da produção de dados e de indicadores”, afirmou.

Bolsa Família e retomada do monitoramento

Em 2023, o MDS e o IBGE firmaram uma parceria para aplicação anual da Ebia, consolidando a retomada do sistema de monitoramento da fome no Brasil. Com a retomada da Ebia, o monitoramento avançou na capacidade de localizar a fome no território por meio de indicadores como o CadInsan.

O diretor de Vigilância do Sisan também ressaltou que, além de orientar, o monitoramento dos dados contribuem para o controle e avaliação da efetividade das políticas públicas implementadas. “Os dados ajudam a mostrar que o combate à fome no Brasil, a partir de 2023, tem sido bem-sucedido”, prosseguiu Valadares.

Em 2022, a fome atingia cerca de 15% dos domicílios do país, segundo dados da Rede Penssan. Com a implementação de políticas públicas no âmbito do Sisan, em especial por meio do Plano Brasil Sem Fome, o percentual caiu para 4,1% no final de 2023 e, em 2024, chegou a 3,2%, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc), do 4º trimestre para esses dois anos.

Tria

A SECF também acompanha a Triagem para  Risco de Insegurança Alimentar (Tria), realizada na atenção primária à saúde, que, em dezembro de 2025, alcançava cerca de 10 milhões de famílias, o equivalente a aproximadamente 13% do total. A ferramenta, criada pelo Ministério da Saúde, permite identificar famílias em situação de vulnerabilidade e direcionar políticas públicas de forma mais precisa.

Os dados também indicam impacto direto das políticas na vida das famílias. Em um período de seis meses, famílias que passam a receber o Bolsa Família apresentam 16% mais chances de sair da situação de insegurança alimentar, em comparação com aquelas que não recebem o benefício.

Censo Sisan

Outro avanço é a consolidação de informações sobre a oferta de políticas públicas nos municípios por meio do Censo Sisan. É possível monitorar como os componentes do Sisan, Consea, Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan) e Plano de Segurança Alimentar e Nutricional estão presentes no país.

Com o Censo Sisan, foi possível desenvolver o Indicador de Presença do Sisan nos municípios (PresSisan). O indicador passou a monitorar a presença de ações e equipamentos de segurança alimentar nos municípios, como cozinhas comunitárias, feiras e apoio à produção de alimentos.

 

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