Coletivo de Mulheres do Sinergia CUT realiza roda de conversa sobre Política e Plano Nacional de Cuidados
A atividade contou com a participação de Rosane da Silva, Secretária Nacional de Autonomia Econômica, e fez o chamado para a pesquisa “Perfil e Condições de Trabalho das Mulheres Energéticas 2026 – Eletricitárias e Gasistas”, iniciativa do Coletivo de Mulheres do Sinergia CUT
Escrito por Débora Piloni, com informações do Coletivo de Mulheres do Sinergia CUT 12 de março de 2026
Na quarta-feira, 11 de março, a partir das 15h, o Coletivo de Mulheres do Sinergia CUT promoveu uma roda de conversa em alusão ao Mês das Mulheres. A atividade contou com a participação de Rosane da Silva, Secretária Nacional de Autonomia Econômica, ex-secretária nacional de Mulheres da CUT e militante do movimento de mulheres. Cerca de 50 pessoas participaram do evento, realizado em formato híbrido, com participação presencial em algumas macros do Sinergia CUT.
Durante o encontro, Rosane apresentou reflexões sobre o trabalho de cuidado na sociedade e informações sobre a Política e o Plano Nacional de Cuidados.
Entre os pontos abordados, foi destacada a importância de refletir sobre o trabalho de cuidado que sustenta o cotidiano das famílias e da sociedade. A apresentação trouxe exemplos de atividades que fazem parte dessa dinâmica diária, como preparar refeições, organizar a casa, cuidar de crianças e acompanhar pessoas idosas em atendimentos de saúde.
Também foram apresentados dados da PNAD Contínua sobre o tempo dedicado ao cuidado no Brasil. Segundo Rosane, as mulheres dedicam em média 21,3 horas por semana ao trabalho de cuidado, enquanto os homens 11,7 horas semanais. As mulheres realizam cerca de 80% do cuidado não remunerado no país.
A apresentação também destacou desigualdades relacionadas ao trabalho de cuidado. Entre elas, o fato de que meninas de 10 a 14 anos já dedicam ao cuidado tanto tempo quanto homens adultos, e que mulheres negras representam 44,2% do cuidado não remunerado, sendo que 34,5% delas gastam mais de 20 horas semanais no trabalho doméstico, percentual superior ao registrado entre mulheres brancas (29%).
Política Nacional de Cuidados
Outro tema abordado foi a Lei nº 15.069/2024, que institui a Política Nacional de Cuidados, sancionada em dezembro de 2024. A legislação estabelece o cuidado como um direito e busca garantir o direito a cuidar, ser cuidado e ao autocuidado, promovendo a corresponsabilização social e entre homens e mulheres pela provisão de cuidados.

Durante a roda de conversa, Rosane da Silva também destacou o papel dos sindicatos na construção de políticas que avancem na divisão social do cuidado. Segundo ela, as entidades sindicais são fundamentais para garantir a implementação de cláusulas nos Acordos Coletivos de Trabalho que contribuam para reduzir a sobrecarga das mulheres nas tarefas domésticas e de cuidado.
Entre os exemplos citados estão a ampliação da licença-paternidade, recentemente aprovada pelo Senado, além de pautas como auxílio-creche, políticas remuneratórias e promoção da igualdade de gênero. Para Rosane, essas medidas podem e devem fazer parte das negociações coletivas.
Ela destacou ainda que o Sinergia CUT está nessa luta para fazer valer os direitos das mulheres trabalhadoras, fortalecendo iniciativas que contribuam para uma divisão mais justa das responsabilidades de cuidado dentro e fora de casa.
Plano Brasil que Cuida
A palestra também apresentou o Plano Brasil que Cuida – Plano Nacional de Cuidados, principal instrumento de implementação da política. O plano organiza e articula ações do Governo Federal para ampliar serviços, benefícios, proteção social e valorização do trabalho de cuidado.
Segundo o material apresentado, o governo prevê R$ 24,9 bilhões em investimentos entre 2024 e 2027 para fortalecer a infraestrutura social de cuidados no país.
Entre as iniciativas mencionadas estão a ampliação da cobertura de creches e educação infantil, serviços de atenção domiciliar para pessoas idosas e com deficiência, criação de centros-dia, lavanderias coletivas e programas de formação sobre cuidados para cuidadoras, trabalhadores do setor e gestores públicos.
Ministra Márcia Lopes na região de Campinas
Durante a roda de conversa, Lourdes Simões, da Marcha Mundial das Mulheres, apresentou um informe sobre a agenda da ministra Márcia Lopes, que estará na região no dia 18 de março, participando de atividades relacionadas às pautas das mulheres.
A programação inclui reunião extraordinária da Procuradoria da Mulher na Câmara Municipal de Piracicaba (9h), almoço com lideranças em Hortolândia (12h), debate público sobre o Pacto Brasil pelo Fim dos Feminicídios na Câmara Municipal de Campinas (15h) e plenária de mulheres da região de Campinas no Sindquinze (19h).
Pesquisa com as trabalhadoras do setor energético
Durante a atividade, o Coletivo de Mulheres do Sinergia CUT lançou a pesquisa “Perfil e Condições de Trabalho das Mulheres Energéticas 2026 – Eletricitárias e Gasistas”. “O nosso objetivo é identificar os desafios enfrentados no dia a dia da mulher trabalhadora para fortalecer a atuação do Sindicato em defesa dos seus direitos. Participe!”, reforçou a coordenadora do Coletivo de Mulheres do Sinergia CUT Rosana Gazzolla.
O acesso à pesquisa pode ser feito pelo link abaixo.
https://forms.gle/VLHB4BA4FiyN3kYc8
Gratidão
Gazzolla agradeceu a participação de todas e todos que acompanharam a roda de conversa e destacou a mobilização das trabalhadoras da categoria.
Rosana também fez um agradecimento especial às companheiras de Ilha Solteira, na pessoa de Deise Fraga, que organizou a macro para que as mulheres pudessem acompanhar a palestra, fortalecendo a participação e o debate coletivo. “Foi um momento muito importante de troca, reflexão e fortalecimento da nossa luta. Agradecemos a todas e todos que participaram e ajudaram a construir esse debate, especialmente as companheiras que se mobilizaram nas macros para acompanhar a atividade”, concluiu.










