CUT leva reivindicações dos trabalhadores à 6ª Conferência Nacional das Cidades
O evento acontece de 24 a 27 de fevereiro, em Brasília. Moradia, transporte, saneamento, emprego e qualidade de vida são pautas dos debates
Escrito por Luiz R Cabral | CUT Nacional 20 de fevereiro de 2026
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) participa, entre 24 e 27 de fevereiro de 2026, da 6ª Conferência Nacional das Cidades (6ª CNC), em Brasília (DF).
A entidade leva para o centro do debate aquilo que pesa no dia a dia da classe trabalhadora: moradia, transporte, saneamento, emprego e qualidade de vida.
Para a CUT, discutir cidade é discutir a vida concreta. É falar do trabalhador que acorda de madrugada para pegar dois ônibus; da mãe que precisa de creche próxima de casa; da família que enfrenta enchentes todo verão. A política urbana interfere no custo de vida, no tempo de deslocamento, na saúde e na renda.
O dirigente sindical e conselheiro nacional das Cidades, Aparecido Donizeti da Silva, que representa os trabalhadores no Ministério das Cidades, afirma que o desenvolvimento urbano precisa começar pelas periferias.
“A conferência vai definir as diretrizes de como queremos o desenvolvimento das cidades, respeitando suas especificidades. Isso envolve mobilidade, saneamento, moradia e cidades mais justas e sustentáveis”, diz.
Ele lembra que grande parte da classe trabalhadora mora em áreas com infraestrutura insuficiente. “Precisamos pensar em uma periferia viva, com ônibus, serviços de saúde, escola, Wi-Fi e infraestrutura adequada. A maioria dos trabalhadores mora nessas regiões”, afirma.
Donizeti também chama a atenção para a vulnerabilidade climática. Em períodos de chuva intensa ou calor extremo, quem sofre primeiro são os moradores das áreas mais precárias. “Quando o clima fica mais severo, os mais atingidos são os trabalhadores. Discutir desenvolvimento urbano é discutir proteção social”, ressalta.
Mas a preocupação da CUT não se limita ao direito de morar bem. A central também questiona como as obras e os projetos urbanos serão executados e em que condições os trabalhadores serão contratados.
Cada obra de saneamento, cada conjunto habitacional e cada intervenção viária geram empregos. A questão é saber se esses postos de trabalho terão direitos garantidos.
“Há trabalhadores em tudo isso. Precisamos discutir que tipo de contratação queremos. Será terceirização precária? Empresa que não paga FGTS? O desenvolvimento urbano precisa garantir direitos”, afirma Donizeti.
A mobilização da CUT começou antes da etapa nacional. A central participou das discussões municipais e estaduais, organizou propostas e fortaleceu a presença sindical nos conselhos locais.
Renato Zulato, secretário-geral da CUT, que também irá participar da conferência, destaca que a articulação já trouxe resultados. “O segmento dos trabalhadores se organizou e conseguiu encaminhar vários pontos de interesse da classe trabalhadora em todo o Brasil. Em estados como São Paulo, os debates avançaram na implantação de conselhos estaduais”, diz.
Para ele, os conselhos são espaços onde a sociedade acompanha e influencia decisões públicas. “A participação dos segmentos de representação social fortalece o debate sobre democracia e soberania nacional”, afirma.
Integrante do Conselho das Cidades e secretário da Pessoa Aposentada, Pensionista e Idosa, Ari Aloraldo reforça que “muitas políticas públicas são discutidas e orientadas no conselho. A participação dos conselheiros é levada em consideração. Organizamos propostas para aprová-las como resoluções na conferência”, diz.
Ele ressalta que as decisões sobre mobilidade, saneamento e moradia acontecem nos municípios e nos estados. Por isso, a CUT defende conselhos ativos em todas as regiões. “Precisamos acompanhar o que o poder público faz ou deixa de fazer”, afirma.
Sobre a conferência
Organizada pelo Ministério das Cidades, por meio do Conselho das Cidades (ConCidades), a 6ª Conferência Nacional das Cidades reúne cerca de 2.800 delegados e delegadas de todas as regiões do país.
O encontro consolida propostas debatidas nas etapas municipais e estaduais e servirá para definir as diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU), que orienta o planejamento das cidades brasileiras.
Trata-se do principal espaço institucional de participação social na área urbana, reunindo representantes do poder público e da sociedade civil — entre trabalhadores, movimentos populares, entidades profissionais e gestores — para deliberar sobre moradia, mobilidade, saneamento, uso do solo e desenvolvimento sustentável.
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Programação oficial da 6ª Conferência Nacional das Cidades











