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Cesta básica: custo cai em 24 capitais em novembro

Bons resultados da economia se aliam ao controle da inflação. Cesta básica apresenta queda generalizada

Escrito por : Gabriel Valery (TVT News) 9 de dezembro de 2025
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Autor da foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Entre os fatores que explicam a redução geral na cesta básica, o relatório aponta maior oferta de alimentos como tomate e leite, baixa demanda industrial por arroz e queda internacional do açúcar

A cesta básica ficou mais barata em novembro na maior parte do país. Segundo levantamento conjunto do Departamento de Estudos Intersindicais (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta terça-feira (9), o custo do conjunto de alimentos essenciais recuou em 24 das 27 capitais brasileiras. O estudo integra a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e, desde 2025, passou a ter abrangência nacional graças à ampliação da coleta de preços promovida pela parceria entre as duas instituições. Confira a seguir um compilado de informações relevantes sobre a cesta básica na TVT News.

Queda generalizada na cesta básica

Na passagem de outubro para novembro, as capitais com as maiores quedas foram:

  • Macapá (-5,28%)
  • Porto Alegre (-4,10%)
  • Maceió (-3,51%)
  • Natal (-3,40%)
  • Palmas (-3,28%)
  • Florianópolis (-2,90%)

Houve aumentos apenas em Rio Branco (0,77%), Campo Grande (0,29%) e Belém (0,28%).

Entre os fatores que explicam a redução geral na cesta básica, o relatório aponta maior oferta de alimentos como tomate e leite, baixa demanda industrial por arroz e queda internacional do açúcar. Já produtos como óleo de soja e carne bovina apresentaram pressão de alta.

São Paulo tem a cesta básica mais cara

Mesmo com recuo de -0,70%, São Paulo segue com a cesta básica mais cara do Brasil, custando R$ 841,23 em novembro. Em seguida aparecem:

  1. Florianópolis — R$ 800,68
  2. Cuiabá — R$ 789,98
  3. Porto Alegre — R$ 789,77

Nas capitais do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta difere — menor quantidade de carne e substituição da farinha de trigo pela farinha de mandioca — estão os menores valores:

  • Aracaju — R$ 538,10
  • Maceió — R$ 571,47
  • Natal — R$ 591,38
  • João Pessoa — R$ 597,66

Evolução anual

Entre novembro de 2024 e novembro de 2025, o custo da cesta aumentou em 14 das 17 capitais comparáveis no período. Os maiores avanços ocorreram em:

  • Salvador — 4,07%
  • Recife — 3,56%
  • Belo Horizonte — 1,89%

As quedas mais expressivas foram registradas em:

  • Brasília — -5,23%
  • Goiânia — -1,41%
  • Natal — -0,36%

No acumulado de 2025 até outubro, metade das cidades analisadas apresenta queda. Os recuos mais fortes estão em Brasília (-5,35%), Natal (-4,20%) e Aracaju (-2,88%).

Salário mínimo é insuficiente

Com base na cesta mais cara, novamente São Paulo, o Dieese estima mensalmente o salário mínimo necessário para suprir despesas básicas de uma família de quatro pessoas. Em novembro, esse valor deveria ser de:

  • R$ 7.067,18 — equivalente a 4,66 vezes o salário mínimo atual (R$ 1.518,00).

Em outubro, o valor estimado era maior (R$ 7.116,83) e representava 4,69 vezes o piso. Em novembro de 2024, o mínimo necessário era de R$ 6.959,31, 4,93 vezes o mínimo de então.

Trabalho necessário para comprar a cesta diminui

Em novembro, o trabalhador remunerado pelo mínimo precisou, em média nacional:

  • 98h31min de jornada para adquirir a cesta, duas horas a menos que em outubro.

Em novembro de 2024, considerando as 17 capitais comparáveis, o tempo era muito maior: 108h04min.

A fatia da renda líquida destinada à alimentação também caiu:

  • 48,41% em novembro
  • 49,29% em outubro
  • 53,10% em novembro de 2024 (base 17 capitais)

Principais variações por produto

Fortes quedas

  • Arroz: redução em todas as 27 capitais (de -10,27% em Brasília a -0,34% em Palmas).
  • Tomate: queda em 26 capitais (de -27,39% em Porto Alegre a -3,21% em Boa Vista).
  • Leite integral: caiu em 24 cidades (de -7,27% em Porto Alegre a -0,28% em Rio Branco).
  • Açúcar: recuo em 24 capitais (até -6,22% em Boa Vista).

Altas

  • Óleo de soja: subiu em 25 capitais, chegando a +20,32% em Macapá.
  • Carne bovina de primeira: alta em 20 cidades (até +3,44% em Salvador).

Nos últimos 12 meses

  • Arroz: queda generalizada nas 17 capitais (-40,22% em Brasília).
  • Batata: quedas profundas (-52,45% em Campo Grande).
  • Café em pó: forte alta (+65,91% em Porto Alegre).
  • Óleo de soja: alta em todas (+15,43% em Vitória).
  • Carne bovina: aumentos generalizados.
  • Leite: queda em todas (-11,76% em Recife).
  • Feijões: queda ampla, com exceção do feijão carioca em São Paulo (+2,54%).

São Paulo: cesta cara, mas queda em novembro

A capital paulista registrou recuo de -0,70%, com nove dos 13 itens ficando mais baratos. Os destaques:

Quedas

  • Tomate: -10,78%
  • Arroz: -3,51%
  • Leite: -2,95%
  • Café: -2,49%
  • Manteiga: -1,50%
  • Açúcar: -1,49%

Altas

  • Óleo de soja: +5,12%
  • Carne bovina: +2,29%
  • Batata: +1,04%

Impacto no bolso

  • Tempo de trabalho necessário: 121h55min (contra 122h46min em outubro).
  • Percentual da renda líquida comprometido: 59,91%.

Apesar do leve alívio em novembro, o custo segue sendo o maior do país, impulsionado pela combinação de alimentos ainda pressionados, como carne, café e óleo, e pelo padrão de consumo da cesta paulista.

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