Auren Energia intensifica demissões e impõe cenário de adoecimento e precarização
Mais 20 trabalhadores foram demitidos nesta terça-feira (25). O Sinergia CUT exige o cancelamento imediato dos desligamentos, volta a denunciar assédio, sobrecarga e descumprimento de acordos, e cobra providências urgentes dos órgãos competentes
Escrito por Débora Piloni, com informações da Secretaria Geral do Sinergia CUT 26 de novembro de 2025
“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia…” Chico Buarque
Desde 01 de novembro de 2024, quando foi concluída a combinação de negócios que resultou na atual configuração da Auren Operações e Auren Cesp, trabalhadores e trabalhadoras passaram a vivenciar um cenário marcado por instabilidade, insegurança e constantes desligamentos, instaurando um verdadeiro clima de “terra arrasada”.
O processo teve início com uma demissão em massa, seguida por uma segunda, e posteriormente por desligamentos pontuais quase diários, evidenciando uma política perversa de gestão que, na prática, tem adotado a lógica do “quanto pior, melhor”.
Assédio, sobrecarga e risco à saúde
Além das demissões sucessivas, o quadro se agrava com práticas de assédio psicológico e imposição de condições de trabalho incompatíveis com a dignidade humana. Entre as denúncias feitas pelos trabalhadores estão:
- Excesso de jornada;
- Ausência de procedimentos adequados de segurança;
- Escalas de até sete dias consecutivos sem folga;
- Descumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho;
- Corte de benefícios;
- Crescente número de acidentes de trabalho;
- Internações decorrentes de estresse extremo.
As condições impostas têm provocado sofrimento físico e mental, afetando diretamente a saúde dos trabalhadores e comprometendo a própria segurança operacional das unidades.
Novas demissões e irresponsabilidade social
Como se não bastasse o histórico recente, a empresa promoveu, nesta última terça-feira, 25 de novembro, mais 20 demissões, aprofundando ainda mais o quadro de precarização. Para o Sinergia CUT, a medida é irresponsável tanto com os trabalhadores desligados quanto com aqueles que seguem na empresa, que passam a assumir sobrecarga de funções e riscos adicionais, além dos impactos negativos gerados para toda a sociedade.
O Sindicato repudia veementemente essas ações, que resultam no adoecimento mental da categoria, na intensificação de acidentes e na violação direta das normas de trabalho decente estabelecidas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Medidas tomadas pelo Sinergia CUT
Diante da gravidade da situação, o Sinergia CUT já ingressou com ações judiciais referentes às demissões em massa e solicitou formalmente ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que não conceda novos financiamentos a uma empresa que promove desemprego, descumpre acordos coletivos e precariza o ambiente de trabalho.
Outra medida anunciada é a denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT) pelo descumprimento do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) e do Acordo de Operação de Usinas.
Em relação às mais recentes demissões, envolvendo os 20 trabalhadores, o Sindicato encaminhou carta à empresa reivindicando o cancelamento imediato dos desligamentos. Caso não haja resposta positiva, todas as providências jurídicas cabíveis serão adotadas.
Além disso, nesta quarta-feira (26), o Sinergia CUT participa de reunião com o Ministério do Trabalho e Emprego, em Brasília, onde serão formalmente denunciadas as práticas consideradas nefastas adotadas pela Auren Energia.
O Sinergia CUT reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos da categoria e seguirá mobilizado contra toda forma de precarização, assédio e desrespeito aos trabalhadores e trabalhadoras da Auren Energia.
Sempre estaremos aqui. Por + direitos, + empregos, + renda










