Espalhe a verdade: mudanças nos vales-alimentação e refeição devem baratear comida
Decreto do governo federal limita cobrança de taxas de administradoras de cartões aos supermercados e restaurantes e abre espaço para a concorrência. Para supermercadistas decisão ajuda a conter inflação
Escrito por Redação CUT 13 de novembro de 2025
Uma propaganda publicada esta semana no jornal Folha de São Paulo, da Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) dizendo que o presidente Lula quer acabar com o vale-refeição não passa de fake news para colocar o trabalhador contra uma decisão do governo federal, a de reduzir as taxas cobradas por essas administradoras de cartões, e também o tempo que elas levam para pagar os supermercados e restaurantes que aceitam o vale, inclusive o de alimentação.
Ao contrário do que diz a ABBT, de que a promessa é uma “falácia” e que o desconto não será repassado ao consumidor, o governo e o setor de restaurantes acreditam que as medidas tomadas permitirão uma queda no preço da comida. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) considerou como “um marco histórico” o novo decreto do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) assinado na terça-feira (11) por Lula. De acordo com a entidade, o decreto torna o programa mais justo, eficiente e acessível, “beneficiando diretamente o trabalhador brasileiro e fortalecendo toda a cadeia de abastecimento de alimentos”. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, acredita que o consumidor sentirá a diferença de preços em um ano.

Presidente Lula e ministros na assinatura do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) – Foto: Ricardo Stuckert / PR
Taxas menores
Hoje o repasse financeiro aos estabelecimentos ocorre 30 dias após as transações; o governo baixou esse tempo para até 15 dias corridos após a transação. A taxa cobrada dos estabelecimentos não poderá ultrapassar 3,6%. Segundo donos de bares, mercados e restaurantes as taxas chegam até 6,2%.
As administradoras negam que cheguem a esse índice e afirma que o máximo é de 4,5%. Mas a taxa cobrada hoje é 61% superior à do cartão de crédito, segundo pesquisa da Ipsos-Ipec. Realizada entre março e abril, a sondagem indicou que a taxa cobrada é de 5,19%, em média, chegando a R$ 6,2% em Salvador e Recife. Já a taxa média do cartão de crédito é de 3,22%; no cartão de débito é de 2%; e no Pix é de 1,64%. A sondagem ocorreu em São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Recife, Manaus e Goiânia, informou o UOL. O mercado de vales-refeição e alimentação movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano.
A Abras diz que as mudanças propostas no programa “eliminam cobranças abusivas e “penduricalhos” que elevavam os custos para o varejo e, consequentemente, para o consumidor”. Para a entidade o novo modelo acaba com o monopólio de quatro empresas que detêm 80% do faturamento. São elas: VR, Alelo, Ticket e Pluxee (ex-Sodexo), que só operam em rede credenciada, em arranjo fechado.
É essa perda de valores altos que as administradoras de cartões não querem ter, daí o ataque ao governo Lula. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) as mudanças beneficiam diretamente mais de 22 milhões de trabalhadores, que terão mais liberdade de escolha e melhor aceitação dos cartões.
Em até 360 dias, qualquer cartão do programa deverá funcionar em qualquer maquininha de pagamento. Segundo o governo federal, isso amplia a concorrência e reduz a concentração de mercado, uma vez que, no arranjo fechado, as funções de instituidor, emissor e credenciador podem ser exercidas pela mesma empresa.
O decreto também traz equilíbrio e previsibilidade para empresas e estabelecimentos, assegurando que os recursos sejam usados exclusivamente para a alimentação.
As mudanças devem gerar impactos positivos para todos os envolvidos – Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego
Para os trabalhadores
- Maior liberdade de escolha e melhor aceitação dos cartões e benefícios;
- Manutenção integral do valor do benefício;
- Garantia de uso exclusivo para alimentação, vedando o uso para outras finalidades, como academias, farmácias, planos de saúde ou cursos.
Para os estabelecimentos
- Melhor fluxo de recebimentos, com repasse financeiro em até 15 dias corridos;
- Maior previsibilidade e ampliação da rede de aceitação;
- Contratos mais equilibrados e regras uniformes para todos os participantes do sistema.
Para as empresas beneficiárias:
- Nenhum aumento de custos e sem necessidade de alterar o valor dos benefícios;
- Responsabilidades bem definidas e segurança jurídica reforçada;
- Previsibilidade e redução de distorções de mercado com os limites de taxas.
No mercado em geral, espera-se maior concorrência, estímulo à inovação tecnológica e ambiente mais justo e equilibrado.










