Auren Operações: trabalhadores em segundo plano
Empresa trava negociações, ataca direitos históricos e pode ser denunciada ao MPT
Escrito por Débora Piloni 21 de agosto de 2025
A postura da Auren Operações nas negociações da Campanha Salarial 2025 com os trabalhadores é de total descaso. Já se passaram 81 dias da data-base (1º de junho) e, até agora, a empresa só realizou duas reuniões: uma de abertura, em 26 de junho, e outra de negociação propriamente dita, quando apresentou uma proposta absurda de retirada de benefícios do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), conquistas garantidas com muita luta da categoria ao longo de décadas.
Em nenhum momento a Auren Operações se pronunciou sobre a pauta dos trabalhadores, que pede reajuste de salários e benefícios com aumento real, além da prorrogação do ACT. E mesmo após 42 dias da última reunião, a empresa apenas sinaliza que pode fazer contato “nos próximos dias”, em mais uma demonstração de desrespeito e negligência com toda a categoria.
PPR rejeitada: trabalhadores dizem não ao retrocesso
No caso da Participação nos Resultados (PPR), a insatisfação também é grande. Em assembleias realizadas pelo Sindicato nos locais de trabalho entre 4 e 8 de agosto, os trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pela empresa, que é reducionista e não atende às reivindicações.
Assim que encerraram as assembleias, o Sinergia CUT enviou carta cobrando a reabertura das negociações. Apenas nesta semana a Auren Operações se manifestou, sinalizando interesse em retomar o diálogo somente na próxima semana. O que o Sindicato espera é bom senso e responsabilidade para garantir uma solução digna para a PPR dos trabalhadores.
Pendências graves sem resposta. MPT pode ser acionado
Em julho, o Sindicato reuniu-se com a empresa para cobrar o cumprimento do Termo de Ajuste de Conduta (TAC), firmado ainda em 2014/2015, na época da AES Brasil. O fato é que a Auren Operações segue descumprindo pontos importantes do Acordo. Além disso, outras pendências foram discutidas nesse dia, como falta de técnicos de segurança, desvio de função, sobreaviso e carência de trabalhadores nas áreas de O&M (problemas que comprometem a segurança do trabalho e colocam vidas em risco).
Como até agora a Auren Operações não tomou providência alguma sobre os pontos debatidos, o Sindicato já estuda levar o caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
Demissões em Bauru e a afronta da confraternização
A situação dos trabalhadores se agrava ainda mais com o fechamento do Centro de Serviço Compartilhado (CSC) em Bauru, que resultará em mais de 30 demissões. A empresa justificou a medida como parte de um processo de “reestruturação”, anunciado em março e que ocorreria a partir deste mês de agosto.
O que também causou indignação foi a afronta cometida pela Auren Operações, que promoveu uma confraternização justamente para os trabalhadores que perderão seus postos de trabalho. “Seria cômico se não fosse trágico. O que se comemora diante de um momento em que os trabalhadores veem seus empregos se esvaírem e são demitidos?”, critica o Sindicato.










